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inês david bastos
Em plena campanha eleitoral, Mário Soares quis ter uma palavra a dizer sobre o futuro do País e sobre a estratégia que José Sócrates deverá assumir se vencer as eleições legislativas. Isto é, caso se torne primeiro-ministro de Portugal. No seu mais recente livro, intitulado "A crise. E agora?" - que é hoje lançado em Lisboa -, o ex-Presidente da República manifesta-se contra a abstenção e apela ao voto no PS. Avisando os eleitores que a escolha que irão fazer no próximo dia 20 "é decisiva para que Portugal saia da "decadência".
Soares faz um duro ataque aos escassos meses de governação de Santana Lopes e mostra-se confiante "na vitória" do PS. "A maioria absoluta seria uma opção clara. Significaria a punição dos governos Durão-Santana e a total responsabilização do PS relativamente ao futuro", acrescenta o ex-chefe de Estado. Que, pensando já nesse tal futuro governo socialista, lança uma série de 'dicas' (não são conselhos, avisa) a José Sócrates.
Pede, antes de mais, que o próximo Executivo seja " formado por um reduzido número de ministro, com competência reconhecida" - pessoas escolhidas "independentemente de rótulos ideológicos ou partidários". Só que, para isso, avisa o ex- Presidente, Sócrates vai ter que "saber resistir às pressões do aparelho e à tentação do poder pelo poder, que pode insinuar-ser através de certos 'notáveis', que gostam de se colocar em posições estratégicas." Caso contrário, adverte, o líder socialista "ficará irremediavelmente prisioneiro do aparelho".
Mário Soares defende que Sóccrates deverá "começar por cortar no despesismo do governo e de todos os órgãos de soberania" e avisa que a "austeridade vai ser, mais do que nunca, necessária". E também a "seriedade e competência" na forma de fazer política.
Colocando-se ao lado do PS no apelo pela maioria absoluta, Soares não deixa contudo de avisar Sócrates que não deve "cerrar pontes à esquerda" ou tratar o PCP e o BE com "arrogância". Um 'conselho que o líder do PS não tem seguido à risca na campanha.
O antigo chefe de Estado considera que o PS fez uma "pré-campanha fraca" mas logo de seguida sublinha que o programa de governo entretanto apresentado -que classificou de "realista" - veio inverter essa situação.
Cisão no PSD. Nas 189 páginas do livro - que incluem ainda crónicas em jornais e entrevistas -, Soares dedica algumas palavras a Santana. Começa por considerar que o próprio Paulo Portas, o parceiro de Governo, "prevê a derrota do PSD". Para depois aferir que também neste partido "há muitos dirigentes e militantes, chocados com a liderança de Santana Lopes, que desejam o mesmo". Daí que o 'histórico' socialista antecipe desde já uma eventual "cisão - significativa - no PSD". Embora asegure que não menospreza "a capacidade de Santana Lopes em campanha", Soares mostra-se convicto de que o eleitorado o vai penalizar. E avisa, peremptório se é possível acordos à esquerda, já a reedição do Bloco Central é hipótese que nem se deve equacionar, porque seria "fatal" para o País.
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