Publicidade
Diário de Notícias Diário de Notícias


internacional

Coreia diz ter armas nucleares

por

luís naves  

A Coreia do Norte admitiu ontem pela primeira vez que possui armas nucleares, numa declaração em que rejeita continuar a negociar a eventual suspensão do seu programa atómico. Entre duras críticas à diplomacia americana, o regime de Pyongyang coloca ponto final nos esforços diplomáticos, que envolviam todos os seus vizinhos, e eleva a fasquia do conflito com os Estados Unidos. Não é claro se a atitude dos norte-coreanos constitui uma cartada de alto perigo ou se, realmente, a Coreia do Norte possui armas de destruição maciça.

O isolado Estado comunista afirma, numa declaração do seu Ministério dos Negócios Estrangeiros (divulgada pela agência oficial), que fabricou armas nucleares de "autodefesa, para enfrentar a cada vez mais evidente política da administração Bush de isolar e sufocar" o país. Pyongyang diz ser capaz de construir seis a oito bombas atómicas, embora sem apresentar provas sobre esta alegada capacidade.

Os norte-coreanos dizem estar dispostos a continuar a discussão no âmbito da ronda de seis países, em Pequim (incluindo, além das duas Coreias, o Japão, a Rússia, os EUA e a China). "Queremos as discussões, mas somos obrigados a suspendê-las por tempo indeterminado". As negociações de Pequim foram suspensas em Setembro e, desde que a crise começou, em 2002, houve apenas três sessões.

Os Estados Unidos reagiram de forma muito cautelosa. Não seria apenas o choque da novidade, mas a Península Coreana é talvez o lugar mais perigoso do mundo, dividido há 50 anos por uma fronteira militarizada onde são frequentes os incidentes. Os norte-coreanos, no mínimo, terão a possibilidade de bombardear a capital sulista, Seul. Além disso, ninguém sabe até que ponto o regime de Pyongyang é instável. Uma guerra poderia matar milhões de pessoas.

Estas incertezas podem ajudar a explicar a resposta da secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, que anunciou pretender consultar os seus aliados antes de tomar uma posição concreta. "Os norte-coreanos não têm qualquer razão para temerem que alguém os ataque", disse Rice, numa primeira declaração. Mais tarde, a secretária de Estado lançou avisos contra o "aumento do isolamento" e repetiu a ideia de ser necessário que Pyongyang suspenda o seu programa nuclear.

Frases semelhantes chegaram de outras capitais. Moscovo lamentou e disse seguir a querela com inquietação. "As negociações a seis são o mecanismo óptimo para chegar a um entendimento sobre a questão nuclear na Península Coreana", referiu o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, em comunicado.

ardil. Há grande incerteza em relação ao regime norte-coreano. As potências ocidentais possuem pouca informação sobre a forma como se articula a elite no poder, já que o último dirigente de alto nível a fugir - o professor do líder, Kim Jong--Il - desertou em 1998. Em que estado está o exército? Qual a extensão da fome crónica? Poucos se atrevem a responder.

O mesmo se pode dizer do programa nuclear, já que as últimas inspecções datam de 2002. Aparentemente, a Coreia do Norte possui cerca de oito mil barras de combustível excedentes das suas centrais nucleares. Em princípio, estas permitiriam produzir entre 25 e 30 quilos de plutónio, o suficiente para cinco ou seis armas nucleares. Mas será que isso foi feito?

A Coreia seria verdadeiramente perigosa se dominasse a tecnologia de enriquecimento de urânio. Neste ponto, os peritos estão em desacordo. Um relatório da CIA, divulgado em 2002, sem referir fontes, afirmava haver provas de que o país começara recentemente a construir uma fábrica de enriquecimento com centrifugadoras.

Num artigo publicado este mês pela prestigiada Foreign Affairs, um especialista, Selig Harrison, prefere a explicação do bluff coreano. Para produzir bombas seriam precisas milhares de centrifugadoras a funcionarem durante anos, abastecimento de electricidade sem falhas, peças sobressalentes e motores de elevada potência. A Coreia do Norte poderá ter criado um pequeno programa experimental, mas não uma operação em larga escala, escreve o autor do artigo.

A tese do ardil explica a resposta imprudente do regime comunista. Perante as pressões americanas em relação a um programa que não possuíam, os coreanos aumentaram a parada. Mas, por outro lado, também é possível que as anteriores acusações de Washington fossem verdadeiras e, agora, simplesmente confirmadas.


ImprimirImprimirEnviar por EmailEnviar por Email
PartilharPartilhar


Especiais

Recuar
Avançar
PUBLICIDADE


PATROCÍNIO
sondagem

Inquérito DN

Se tivesse possibilidades económicas compraria uma viagem ao espaço?

Sim
Não
Votar  Ver Resultados




Desporto

Todas as notícias

Todas as notícias

Cartaz

PLANO GERAL

PLANO GERAL

Portugal

Facebook

Facebook

Televisão

Guia TV

Guia TV

Portugal

Twitter

Twitter




Diário de Notícias, 2009 © Todos os direitos reservados | Termos de Uso e Política de Privacidade | Ficha Técnica | Publicidade | Contactos