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Ribeiro Teles acaba com a 'paz podre'

por

rui frias

sílvia freches  

Miguel Ribeiro Teles demitiu-se ontem de vice-presidente do Conselho Directivo do Sporting tendo anunciado a sua decisão ao presidente Dias da Cunha. O ingresso de Nuno Assis (sobre quem o Sporting tinha direito de opção) no Benfica terá sido a gota de água que fez transbordar a paciência do vice-presidente, o qual, sabe o DN, já há muito encabeçava uma espécie de 'oposição silenciosa' a Dias da Cunha no interior do clube.

Miguel Ribeiro Teles invocou a aproximação recente do Sporting ao Benfica como razão para a sua demissão. Uma aproximação que teve o seu ponto de maior controvérsia interna, entre os leões, na recente "permissão" da ida de Nuno Assis, ex-jogador leonino sobre o qual o clube tinha direito de opção (por 150 mil contos), para o rival da Luz. Ribeiro Teles criticou internamente este "exemplo da má política de gestão" de Dias da Cunha. Críticas a que o presidente responde com o facto de ter sido "na gestão daqueles que o acusam que o Nuno Assis foi para Guimarães de mão beijada [troca com Custódio]", como afirmou uma fonte leonina ao DN.

As divergências com a actual política desportiva do Sporting já quase tinham feito eclodir um movimento de "assalto ao poder", encabeçado por Miguel Ribeiro Teles e englobando nomes como os dos ex-dirigentes José Eduardo Bettencourt e Miguel Garção, pouco depois do início da época, na semana que antecedeu a visita ao Estoril (6.ª jornada), estava a equipa de Peseiro mergulhada em maus resultados e na segunda metade da tabela.

A vitória na Amoreira serviu então para adormecer a contestação, mas não fez desaparecer o mau-estar deste grupo que, segundo o DN apurou, junta-se regularmente em jantares para delinear a estratégia de uma candidatura futura ao poder. E é ainda uma facção que encontra receptividade em alguns sectores da SAD, já que o actual homem forte do futebol leonino, Carlos Freitas, é tido como um protegido de Ribeiro Teles.

O grande obstáculo a que este grupo de oposição a Dias da Cunha se assuma como tal tem sido até agora a falta de crédito na banca. Que é, ao mesmo tempo, o principal aliado de Dias da Cunha. É por isso que esta facção tenta seduzir outros nomes para a sua causa, como o do administrador Filipe Soares Franco. O DN sabe que Soares Franco já frequentou alguns dos encontros que o grupo promove, mas é para já um aliado de Dias da Cunha. Mas o presidente, que tem como questão de honra cumprir o mandato até final, corre o risco de ficar cada vez mais isolado se os resultados da equipa de futebol continuarem a desiludir.


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