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por
Francisco
sarsfield cabral
Consta que, pela mão do PSD, entrou em Portugal a campanha negativa (dizer mal dos adversários). É verdade - e é pena - mas existem entre nós antecedentes. Recordo a segunda volta das presidenciais de 1986, quando os tempos de antena de Mário Soares na RTP atacaram Freitas do Amaral, acusando-o de reaccionário e de cumplicidade com o regime anterior. Seria, aliás, curioso rever este material a propósito de uma eventual nova candidatura de Freitas à presidência, desta vez pela esquerda. As campanhas negativas, com "assassinatos de carácter", são correntes nos Estados Unidos. Por isso há quem, em Portugal, as considere coisa boa e moderna. Eu acho-as detestáveis, mas devo ser antiquado.
O PSD de Santana Lopes trouxe para a luta eleitoral uma outra novidade, ainda mais desagradável aproveitar ondas de boatos para lançar insinuações. É certo que foi Louçã a inaugurar o processo, em relação a Paulo Portas. Mas a operação do PSD parece sistemática e planeada. Boatos sempre existiram; só que têm hoje outra força com a Internet - onde cada um diz o que lhe apetece, sem se sujeitar às consequências que teria numa publicação impressa. Santana nega fazer insinuações. Mas uma operação como o "almoço das mil mulheres" em Braga e os "outros colos" é difícil de branquear. Assim como não se entende o esforço do líder do PSD para introduzir na campanha "temas fracturantes" típicos do Bloco de Esquerda (e sobre os quais Santana não apresenta posições claras) a não ser que o objectivo seja transmitir uma mensagem subliminar.
São armas de marketing, que hoje dita as campanhas eleitorais. Também já vemos por cá publicidade comercial negativa e um frequente recurso dos publicitários a mensagens subliminares. Mas o marketing e a publicidade também têm, ou devem ter, regras morais.
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