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Igreja critica política social de Madrid

por

helena tecedeiro  

As interferências da Igreja nos assuntos políticos também se têm feito sentir em Espanha. As reformas sociais anunciadas pelo Governo socialista do primeiro-ministro, José Luis Rodríguez Zapatero, têm causado mal-estar entre os representantes da Igreja Católica e o Executivo.

O Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), após vencer as legislativas de Março 2004, anunciou a revisão da Lei do Aborto (que permitirá a interrupção da gravidez até às 12 ou 14 semanas). Em Agosto, o ministro da Justiça espanhol, López Aguilar, garantiu, no entanto, que a alteração do Código Penal, no que toca a esta matéria, não irá ocorrer antes de 2006 e será precedida por um "profundo debate social e político".

O programa de governo socialista prevê ainda a legalização do casamento entre homossexuais, da eutanásia e o uso de embriões humanos em experiências científicas, bem como a defesa de uma escola "pública e laica".

O financiamento de operações de mudança de sexo e a redução dos trâmites legais em caso de divórcio também estão previstos nas reformas sociais do Governo de Zapatero. O Conselho de Ministros já iniciou o debate sobre a lei que permitirá dissolver o casamento em dez dias. Esta medida foi duramente criticada pelas associações de defesa da família.

A Igreja Católica também não ficou indiferente a estes projectos. A primeira reacção surgiu através da Conferência Episcopal Espanhola (CEE) que considerou os projectos socialistas "preocupantes".

Em Junho 2004, durante uma audiência com o primeiro-ministro espanhol, o Papa João Paulo II manifestou a sua preocupação perante as políticas sociais de Madrid. Estas críticas foram repetidas no dia 24 de Janeiro, durante a recepção do Santo Padre a um grupo de bispos espanhóis. O Sumo Pontífice acusou o Executivo de Zapatero de estar a difundir "uma mentalidade inspirada no laicismo".

O Papa condenou o aborto e os casamentos entre homossexuais, pedindo a Madrid que garantisse o direito fundamental à vida, defendesse a família e o ensino da religião católica nas escolas públicas.

Confrontado com estas críticas, o Governo de Zapatero convocou o núncio (embaixador) do Papa em Espanha, o português Manuel Monteiro de Castro, para lhe expressar o seu mal-estar.

Na reunião realizada no Palácio de Santa Cruz, o subsecretário dos Assuntos Externos, Luis Calvo, reafirmou o desejo do Executivo de manter um bom entendimento com a Igreja Católica. Zapatero, por seu lado, considerou "exageradas" as palavras do Papa e garantiu que "Espanha vive o momento de maior liberdade religiosa da sua história".


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