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paulo baldaia
No momento em que o Bloco Central volta às páginas dos jornais, os eleitores revelam a intenção crescente de votar nos partidos mais pequenos. Se a campanha reforçar este caminho é bem possível, portanto, que socialistas e sociais-democratas sintam necessidade de recuperar os laços de cumplicidade com que geriram a administração pública, nos últimos 30 anos.
O cenário deve estar bem presente na cabeça do Presidente da República, que também dá um trambolhão no índice de popularidade. No debate do Expresso da Meia-Noite, naSIC Noticias, Sampaio bem pediu uma maioria absoluta e revelou que sonhava com uma solução estável a entrar em Belém no dia 21 de Fevereiro. É, aliás, bem possível que exista um sonho presidencial que passa por uma aliança capaz de fazer as dezenas de pactos de regime pedidos nos últimos anos. O outro sonho presidencial, que até tem adeptos no PSD, deve ser que o caminho para este bloco passe pela saída de Santana Lopes.
Bem cedo percebeu Portas que o voto útil já não se aplica ao PS e ao PSD. Útil é o voto em quem faz a diferença, à direita e à esquerda, como mostram os mais de 20 pontos que marcam as quedas de popularidade de Sócrates e Santana. Sem ideias claras, envolvidos em polémicas que nada dizem a quem precisa de recuperar o optimismo, os líderes dos dois maiores partidos vão fazendo a campanha dos mais pequenos.
O Bloco já aparece como o terceiro partido e isso deve deixar os dirigentes socialistas com algumas dores de cabeça. É aqui que verdadeiramente está a ameaça à maioria absoluta que Guterres e Freitas pedem para Sócrates. O elogio que Mário Soares fez ao programa eleitoral de Louçã - o único líder com popularidade - mostra que o ex- -presidente percebe o caminho que a política está a percorrer.
O bipartidarismo, com este PSD e este PS, tem tendência para desaparecer. Já ninguém quer o Bloco Central. O tempo parece destinado a outro bloco. Pena é que esta esquerda se identifique com os anarquistas "Hay Gobierno, estoy contra".
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