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Uma média de três jovens por dia recorreram aos hospitais portugueses em 2003 devido a um aborto clandestino, segundo um relatório da Direcção-Geral de Saúde, ontem apresentado num seminário sobre "Jovens e sexualidades". É que 80% da população deste grupo etário não usa preservativo, um comportamento de risco que atinge 40% dos universitários, indicaram outros dois trabalhos apresentados no mesmo encontro, que decorreu na Gulbenkian, em Lisboa.
Os dados sobre o aborto clandestino em Portugal constam do Relatório de Registos dos Episódios de Internamento da Divisão de Saúde Materno-Infantil e dos Adolescentes, em 2003, segundo noticia a Agência Lusa.
No ano em análise, deram entrada nos hospitais 1019 jovens com complicações médicas depois de terem realizado um aborto "fora do quadro legal". Os participantes no colóquio chamaram a atenção para o facto de o número não traduzir a realidade, já que não estão contabilizados os casos sem problemas físicos. "São vários os números apontados, mas não há estudos que dêem a conhecer com fiabilidade e rigor a realidade do aborto em Portugal", referiram.
Risco. No seminário, promovido pelo Instituto Português da Juventude, foram também apresentados dois trabalhos sobre práticas sexuais de risco dos jovens portugueses. Oitenta por cento não usam preservativo, um comportamento que no meio universitário abrange 40% dos estudantes, indicam dois outros estudos apresentados na Gulbenkian.
Um inquérito da Comissão Nacional de Luta Contra a Sida junto de 5000 jovens, entre Março e Maio de 2004, concluiu que 83,4% dos inquiridos tiveram relações sexuais - 5,7% antes dos 15 anos - mas apenas 46,1% usaram preservativo. Questionados sobre se usaram protecção no último contacto sexual, quase 40% disseram que não, sendo que 18% afirmaram ter múltiplos parceiros, o que agrava o risco de contágio pelo VIH.
No mesmo sentido, o trabalho do sociólogo Fausto Amaro sobre percepção de riscos, atitudes e comportamentos dos portugueses perante a sida, salienta que 80% dos jovens não usam preservativo e que 60% acham que o VIH se apanha nos serviços de saúde. Revela ainda que 40% dos jovens recorrem regularmente ao sexo pago, 60% dos quais sem usar preservativo.
Em 2003, Portugal era, segundo a ONU, o país da UE, com a maior taxa de infectados com sida/VIH entre a juventude. E era o segundo com maior percentagem de mães adolescentes, dois por cento dos jovens entre os 15 e os 19 anos.
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