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Tem defendido que a direita deve apostar em novas áreas de governação para reconstituir a sua base social de apoio. Em que áreas pensa, para além do ambiente?
Disse e repito que existem áreas que são definidoras, e estruturantes, em relação a qualquer espécie de modernidade o ambiente, a cultura e a ciência. São uma forma de cativar muita gente desinteressada e muita gente jovem. São áreas em que é possível fazer um trabalho enorme, com resultados concretos, sem ter de haver reforços colossais de orçamento. O ambiente é hoje, em termos de modernidade, mas também em termos de sustentabilidade da nossa civilização, uma das áreas em que se pode mudar de forma decisiva o nosso estilo de vida. Os grandes problemas de Portugal não são apenas económicos e do Estado, prendem-se também com o tipo de sociedade que estamos a criar.
Que tipo de problemas?
Eu acho que a nossa sociedade está nos antípodas das referências que mobilizaram o povo no 25 de Abril as pessoas queriam uma sociedade mais justa, solidária, menos materialista. Passados 30 anos, o juízo que faço do que estamos a construir é uma sociedade profundamente materialista, egoísta, com défice de solidariedade e de generosidade enorme. No fundo, uma sociedade em que só importa quem tem dinheiro.
Esse discurso é roubado à esquerda. Podia estar a fazê-lo hoje no Fórum de Porto Alegre.
É o que eu penso! São os valores que todos os dias nos assaltam a casa, são os homens de sucesso, os 'yuppies', os gestores, os empresários. Esqueceram-se outros valores, as famílias com princípios honrados e sãos, de bons chefes de família, em que o marido gosta da mulher, em que não se divorciam, que gostam de ter filhos, que não são pessoas de sucesso mas que são muito respeitáveis.
Como é que essa visão se traduziria na cultura?
Nós exaltamos pouco valores que temos, novos talentos indiscutíveis dos quais nos devíamos orgulhar. Vejo a nova geração de pintores de grande qualidade, de escritores, de gente da música... é através desses valores que Portugal se devia ir afirmando.
Foi para isso que, quando Santana Lopes estava a constituir Governo, sugeriu a Paulo Portas que deixasse a Defesa e fosse ministro de Estado e da Cultura?
Foi. Eu acho que o dr. Paulo Portas, pelo perfil que tem, pela sua cultura, pelo mundo que conhece, podia ser o nosso [André] Malraux. Tive sempre esse sonho. Penso que Portugal precisa de alguém que seja em Portugal o que Malraux foi em França. Creio que isso podia mudar muito o país.
E quanto a si e às ideias que defende admite vir a liderar um dia o partido?
Eu pretendo tão somente ter o previlégio de poder, através do CDS/PP, participar na vida política e expressar as minhas ideias. A liderança é problema que não se coloca estou muito satisfeito com a liderança e, dentro de uma total solidariedade, tenho dado os meus contributos.
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