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Aliados de Santana chamavam-lhe xenófobo e bolorento

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pedro correia  

Pedro Santana Lopes é "xenófobo", tem um "discurso boloren-to" e produziu um programa de go-verno que era um "conjunto de vacuidades". Enquanto presidente da Câmara Municipal de Lisboa cometeu "atentados aos direitos dos lisboetas" com atitudes de "ar-rogância, prepotência e desrespeito pelas regras da democracia" em questões como a construção do Túnel do Marquês de Pombal, obra "inútil, perigosa e despesista".

Acusações dos partidos da oposição de esquerda ao presidente do PSD? Não. Todos os "mimos" re-produzidos no parágrafo anterior constam da página do Partido da Terra (MPT) na Internet e podem ser consultados no endereço www.mpt.pt. E nem o facto de este partido estar agora coligado com o PSD, garantindo a eleição automática de dois dos seus dirigentes integrados nas listas sociais- -democratas às legislativas de 20 de Fevereiro, levou o MPT a actualizar o site.

O País que o parceiro de coligação de Santana Lopes descreve nesta série de comunicados lançados na Net é digno da mais combativa força da oposição. O que diz o MPT, por exemplo, sobre o quadro político actual? Nada menos que isto "No plano político assistimos, com escândalo, ao tráfico de influências e da corrupção que atinge mesmo o desporto. A partidarização da administração pú-blica contribui para esta realidade, dando lugar aos compadrios e à incompetência técnica". Uma denúncia expressa no mais recente comunicado, em que o MPT justifica a sua presença na campanha.

tiro ao alvo. Já vem de longe este diagnóstico crítico do Partido da Terra. Tendo Santana como alvo de estimação. De há um ano para cá, o líder laranja foi alvo de violentas críticas dos seus actuais parceiros de coligação. Ainda como presidente da Câmara de Lisboa, já era criticado pelo MPT a propósito de questões tão diversas como a "animação" em Monsanto e a construção do Túnel do Marquês. Esta obra, argumentava-se numa nota à imprensa de 28 de Abril de 2004 ainda à disposição dos internautas, comprovou a "arrogância, prepotência e desconsideração" de Santana pelos cidadãos. Por ser "inútil, perigosa e despesista" e resultar de um "processo opaco".

Quando Durão Barroso partiu para Bruxelas, em Junho passado, o MPT fez campanha activa contra a indigitação de um Executivo liderado por Santana. E fez mesmo um apelo ao Presidente da República para a convocação de eleições antecipadas. "Consideramos inaceitável que o próximo Governo surja de acordos palacianos no interior dos partidos que compõem a coligação", sublinharam. O comunicado mantém-se na Internet.

Tal como se mantém um outro, datado de 28 de Julho, em que o MPT desancou o programa do Governo de Santana. Porquê? "É um conjunto de vacuidades" ditado pelo "neoliberalismo instalado no poder". De resto, sublinhava então o Partido da Terra, Santana já habituara o País a "algumas tiradas enriquecedoras do anedotário nacional". O MPT criticou também o "discurso bolorento e mesmo xenófobo" do primeiro-ministro na tomada de posse, apelando a Jorge Sampaio para ter a "coragem de o demitir".

Quatro meses depois, Sampaio fez-lhes a vontade. Mas o MPT virou-se então para Santana a 22 de Dezembro, a Comissão Política do partido aceitou um convite do PSD, integrando dois dos seus dirigentes em lugares elegíveis. Pedro Simão José é décimo por Lisboa e Luís Carloto Marques é terceiro por Setúbal. O adversário de ontem é o aliado de hoje. Mas as críticas permanecem na Net.


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