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Nobre Guedes denuncia hipótese de Bloco Central

por

Luís miguel viana

Nuno simas

SUSETE FRANCISCO  

O CDS recebeu com irritação e um "ranger de dentes" a carta do vice--presidente do PSD Nuno Morais Sarmento em que criticava António Pires de Lima e Paulo Portas. Um membro da direcção democrata-cristã ouvido pelo DN manifestou surpresa e irritação por a polémica carta ter "chegado aos jornais" antes de ser entregue ao destinatário... Mas o PP já tem a contra-resposta.

Em entrevista a publicar amanhã no DN, Luís Nobre Guedes, ministro do Ambiente e dirigente nacional do PP, deixa um aviso aos sociais-democratas. Se Sarmento estranhou que Portas tivesse falado "em apoiar proposta de governo" do PS, Guedes responde agora que o PSD não pode reeditar qualquer acordo com o PS.

O acordo pré-eleitoral assinado pelos líderes do PSD e CDS "é absolutamente claro" que o partido de Santana Lopes "de forma alguma viabilizaria um qualquer Bloco Central e que o CDS de forma alguma viabilizaria qualquer Governo com o PS." Na resposta à polémica causada pela carta de Sarmento, Nobre Guedes diz que lhe "consta" que no PSD há quem defenda um acordo com o PS. Mas o ministro adianta uma explicação é "o PS, inteligentemente, a querer fomentar esse intriga e mau estar."

evitar polémicas. Em reacção à missiva do vice-presidente do PSD - em que Morais Sarmento critica as declarações de Portas sobre eventuais acordos com o PS e de Pires de Lima a comentar o processo das listas no PSD -, o número dois do PP considerou "natural que haja pontos de algum desconforto que necessitem de trocas de opiniões entre os dois partidos". O vice-presidente dos populares afirmou, no entanto, não querer abrir "polémicas públicas". "Não é esse o espírito da campanha do CDS", acrescentou. A resposta a Sarmento será dada de "forma privada".

Apostado em manter a imagem da estabilidade e do parceiro fiável - que constitui, aliás, uma das bandeiras da campanha de Portas -, o CDS tem evitado responder às críticas, cada vez mais frequentes, das hostes sociais-democratas. Mas a insistência destes ataques está a causar um notório incómodo. "Obviamente que não estou a ver isto com bons olhos. Há um acordo entre os dois partidos que pressupõe um mínimo de cordialidade", afirmou ao DN José Manuel Rodrigues, presidente do Conselho Nacional. Para o também líder dos populares da Madeira, os sociais- -democratas "não podem fazer do CDS o bode expiatório dos seus próprios problemas internos". "O CDS tem feito uma campanha pela positiva, valorizando a sua acção política. Compete ao PSD fazer o mesmo", diz José Manuel Rodrigues, defendendo que os sociais- -democratas "têm de perceber duas coisas que os dois partidos estão a concorrer em listas separadas; e que, no centro-direita, quanto melhor for o resultado do CDS, melhor para o PSD".

Entre os democratas-cristãos há quem faça uma leitura diferente. "O PSD já percebeu que o PS vai ganhar as eleições e quer perder pelo mínimo possível. Ora, quanto melhor resultado tiver o CDS, pior para o PSD", afirmou ao DN um dirigente popular.


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