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por
nuno simas
susete francisco
A acusação é grave e surge pela mão de Morais Sarmento. O vice-presidente do PSD e ministro da Presidência escreveu uma carta ao número dois do CDS, António Pires de Lima acusando os democratas-cristãos de não respeitarem o acordo pré-eleitoral entre os dois partidos. E visa tanto Pires de Lima como o próprio Portas.
Na origem das críticas de Sarmento estão duas entrevistas de Portas e Pires de Lima. No primeiro caso, o vice-presidente do CDS comentou, "em termos comparativos", a formação de listas do PP e do PSD para registar "a intranquilidade de comportamento do PSD".
Depois, sucederam-se as declarações do próprio Portas, "admitindo a abertura do CDS para apoiar propostas de Governo em determinadas áreas, na eventualidade de vitória do PS". Defesa e a Política Externa foram as suas áreas em que Portas admitiu os tais "consensos de Estado". "Surpresa", escreve Morais Sarmento na carta a Pires de Lima. Surpresa "tanto maior quanto é sabido que o PSD tem mantido uma atitude intransigente de silêncio relativamente aos processos internos de decisão do CDS, e mesmo no que respeita às [suas] posições públicas".
Apontando a falta ao seu parceiro de Governo, Morais Sarmento garante que, com esse silêncio, os sociais-democratas têm garantido "a defesa e o respeito absoluto pelo acordo pré-eleitoral que foi celebrado entre ambos os partidos". "A que nos mantemos absolutamente fiéis", faz questão de frisar.
O acordo assinado por Santana Lopes e Paulo Portas, recorde-se, prevê que nenhum dos partidos "estará disponível para isoladamente viabilizar soluções de Governo quaisquer outras forças políticas". E subjacente a este acordo está um pacto de não agressão entre dois partidos que agora concorrem em listas separadas às legislativas de 20 de Fevereiro.
Na carta, o vice-presidente dos sociais-democratas atribui estas declarações à "tensão natural destes primeiros dias de pré-campanha» e deixa um recado para o futuro, afirmando esperar que este comportamento seja "ajustável com o decurso do tempo".
A terminar, Nuno Morais Sarmento reafirma o empenhamento do PSD numa colaboração que, "no respeito pelo acordo estabelecido", permita aos dois partidos "prosseguir a defesa dos interesses de Portugal".
A missiva de Sarmento vem juntar-se a outros episódios, que têm vindo a demonstrar uma incomodidade crescente, no PSD, com o parceiro de coligação. Prova disso são as sucessivas críticas de Luís Filipe Menezes ao CDS e os reparos também já feitos por Santana Lopes. Contactado pelo DN, Pires de Lima remeteu para o dia de hoje quaisquer comentários à carta de Morais Sarmento, que disse não ter ainda recebido.
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