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Três alemães que trabalham na recolha do lixo em Frankfurt foram "condenados" a frequentar um curso de Apreciação de Arte, depois de acidentalmente destruírem e incinerarem uma escultura de Michael Beutler, instalada numa rotunda daquela cidade.
Com dez metros de largura e 2,5 metros de altura, a peça - intitulada Nicht Innen Sondern Aussen-Nicht Drinnen Sondern Draussen (Não Interior mas Exterior-Não Dentro mas Fora) - era feita de vulgar plástico amarelo usado na construção civil, dobrado e cortado pelo artista. E era uma das dez obras incluídas numa exposição ao ar livre, espalhada por vários locais de Frankfurt. Ou melhor, das oito que restavam, pois duas das ins- talações já tinham desaparecido.
"Está entre a abstracção e algo figurativo", explicou à bbc.news o escultor, acrescentando que a sua obra "tinha qualquer coisa de parque infantil público, podia ver-se nela uma espécie de cobra ou assim". Segundo Michael Beutler - nascido em 1976, em Oldenburgo, e com formação na Städelschule de Frankfurt (Alemanha) e na Glasgow School of Art (Escócia) -, o objectivo era criar uma coisa de tal forma real que não parecesse uma obra de arte.
Os funcionários municipais que apenas viram detritos naquela estranha estrutura amarela vão agora frequentar a escola onde estudou o jovem artista (que, diga-se de passagem, alcançou grande projecção mediática graças a este caso insólito).
antecedentes. Esta não é a primeira (nem será a última) vez que uma obra de arte acaba no lixo. Em Dezembro, desapareceram do Centro de Arte e Espectáculos da Figueira da Foz os 17 pedaços de um lavatório de cerâmica a que Jimmie Durham chamou As Frases. Os cacos foram partidos em 1995, durante uma performance na galeria Módulo do artista norte- -americano de origem Cherokee, e a peça, no valor de milhares de euros, pertencia à colecção do Instituto das Artes. Mas acabou no contentor, porque a empregada de limpeza achou que se tratava de lixo de alguma obra a decorrer no centro.
Em Junho de 2004, um episódio semelhante ocorrido na Tate Britain deu grande brado na imprensa. Um zeloso funcionário de limpeza da galeria londrina deitou fora aquilo que lhe pareceu ser um saco de plástico com papéis e pedaços de cartão, que se encontrava junto a uma mesa. Tratava-se de parte da instalação Recreation of the First Public Demonstration of Auto-Destructive Art, do artista alemão Gustav Metzger. O saco seria entretanto recuperado.
Também em Londres, em 2001, o excesso de zelo destruiu uma obra do britânico Damien Hirst, patente na galeria Eyestorm as latas de cerveja vazias, as chávenas de café, os maços de tabaco e cinzeiros atulhados de beatas, reunidos com o intuito de representar o caos do estúdio do artista, foram parar ao caixote do lixo. E nos anos 80, na Alemanha, a banheira imunda que fazia parte de uma instalação de Joseph Beuys foi esfregada até ficar limpa.
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