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O que é que tem o Barnabé

por

pedro Mexia

pedromexia@hotmail.com  

O Barnabé (www.barnabe.weblog.com.pt) é o melhor blogue político português. Sou naturalmente insuspeito, uma vez que discordo de nove décimos dos textos que aí aparecem (felizmente os rapazes também escrevem sobre Sebald e Springsteen). Nenhum blogue político (nenhum espaço na esquerda portuguesa) é tão inteligente, tão actual, tão divertido e tão bem escrito. Agora que o blogue passou (parcialmente) para livro, olho para a capa e para as frases (comerciais) que vêm na capa. Está lá quase tudo.

O blogue que a direita detesta. É a aposta na provocação. O Barnabé sempre foi um blogue de combate, sempre defendeu uma agressividade política que não passa necessariamente pelo plano pessoal mas que defende mesmo o recurso ao «insulto com conteúdo» (como dizem). É um blogue assumidamente de esquerda, com moderados e radicais. Muitas vezes o Barnabé é confundido com o Bloco, o que parece um imerecido elogio ao Bloco e um imerecido apoucamento do blogue.

O mais lido um milhão de visitas na net. Não importa se o número é exacto. O Barnabé é um sucesso e apregoa que é um sucesso. Os barnabitas (mais uns que outros) fazem como as televisões generalistas batalham sem descanso na guerra das audiências. Sei mesmo que alguns vigiam o contador de visitas com uma avidez digna de um Manuel S. Fonseca. A própria cor do livro (amarelo garrido) e a editora escolhida (a Oficina do Livro) mostram que o Barnabé não é a New Left Review lisboeta mas o 24 Horas dos esquerdistas trintões.

O que é que tem o Barnabé que é diferente dos outros? Muitas coisas o humor infatigável, o gosto pela dialéctica, o profissionalismo, o apuro visual, a contundência, o populismo de esquerda. E um entusiasmo paradoxal por alguns aspectos do capitalismo cultural e do universo mediático. Embora conte com alguns universitários, o Barnabé está mais perto do Cabaré da Coxa que de um Conselho Científico. O próprio título mostra a diferença «Barnabé» é uma canção de Sérgio Godinho (1972). Assim se remete de imediato para um imaginário cultural intocavelmente de esquerda, mas que goza de aceitação generalizada. Barnabé é bem mais eficaz do que, digamos, Socialismo ou Barbárie.


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