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por
miguel coutinho
P aulo Portas é, por mérito próprio, o senhor sound bite da política portuguesa. Francisco Louçã é mais palavroso. Santana Lopes é menos assertivo. José Sócrates não resiste a uma citação. E Jerónimo de Sousa não vive sem a doutrinária referência aos camaradas - os vivos e os mortos.
Paulo Portas é, feitas as contas, o mais eficaz dos líderes partidários. Bem pode Pedro Santana Lopes lamentar que «o CDS passou agora a fonte de todas as virtudes». Qual é a novidade? Paulo Portas sempre fez bem o papel de virgem ofendida - quem aterre hoje no País estranhará, com razão, que o líder popular tenha feito parte de um Governo tão ingenuamente incoerente e descoordenado. Paulo Portas foi um bom ministro e até conseguiu ser sóbrio, contrariando alguma exuberância natural. Luís Nobre Guedes foi corajoso parecendo que o Ambiente era para ele a causa de uma vida. A Bagão Félix, o insuspeito líder da oposição encarrega-se, dia após dia, de dar razão. E Celeste Cardona foi um acidente de percurso já esquecido numa prateleira da Caixa Geral de Depósitos.
À direita, ninguém vive em estado de graça como o CDS. E Paulo Portas retomará, na campanha, o que melhor sabe fazer frases curtas que ficam no ouvido como as músicas das feiras e dos bailes de aldeia. Do «Eu fico», que marcou a sua candidatura à Câmara de Lisboa, ao «Voto útil» que sintetiza agora uma estratégia de sedução junto do eleitorado, o senhor sound bite está de volta.
A utilidade do voto em Paulo Portas é óbvia eleger o próprio, consolidando uma imagem de homem de Estado que ele soube construir. Virá, depois, a comparação, que Santana Lopes teme: quem na coligação foi garante de estabilidade e, fazendo o seu trabalho, evitou equívocos e outras demonstrações de inabilidade política?
Em circunstâncias normais, o voto útil à direita seria no PSD. Mas agora é tarde para Pedro Santana Lopes reescrever o seu passado recente. No pólo oposto, Paulo Portas pode reclamar, sem contradições, a herança de José Manuel Durão Barroso - resistir, resistir sempre.
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