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LEONídio paulo ferreira
O processo de democratização de Marrocos está por concluir, apesar dos passos dados por Hassan II no final do seu longo reinado de quatro décadas e, ainda mais, por Mohammed VI nos seis anos que leva já como monarca. Mas existe um sistema partidário pluralista, eleições legislativas regulares e uma imprensa cada vez mais livre, basta ver a recente quebra do tabu da publicação do salário real. Sobretudo «há um afastamento concreto do despotismo», como notava ao DN, em 2004, Abdallah Saaf, professor de Ciência Política e ministro da Educação do único Governo socialista da história de Marrocos. A posse de Abderrahmane Youssoufi como primeiro-ministro em 1998 terá sido, aliás, o mais sincero sinal reformista de Hassan II, após um longo reinado absolutista com intervalos liberais. Youssoufi encabeçava um partido que sempre questionou o monarca e o próprio primeiro-ministro foi preso político. Morto Hassan II no Verão de 1999, a ascensão de um rei de 36 anos constituiu uma oportunidade para a regeneração da monarquia alaouita. Educado em universidades marroquina e francesa, Mohammed VI assumiu como prioridade a modernização do país. Fortalecido pelo estatuto de descendente do Profeta, tem procurado um compromisso com o influente movimento islamita marroquino, mas não hesitou em promover uma lei da família ao nível das mais progressistas do mundo árabe. Agora, na TV, as vítimas dos abusos de poder contam o sofrimento e ouvem promessas de indemnização. É verdade que não podem acusar os carrascos. Mas ao nível do mundo árabe é um passo tremendo. E um sinal mais de que Marrocos pretende ser um bom exemplo reformista. Graças ao seu jovem rei. E graças também a uma sociedade civil tradicionalmente muito combativa.
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