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Independentistas catalães contra acordo PSOE/PP

por

manuel lopes

correspondente em Madrid  

A semana de vertigem política em torno do chamado «Plano Ibarrexte» terminou com os bascos a insistirem no seu projecto independentista (embora mostrando alguma abertura para negociar), com o «não» rotundo de Madrid e com um inesperado acordo dos principais partidos para travar este e qualquer outro projecto nacionalista.

Os radicais bascos, próximos da ETA Militar e que continuam a não condenar a violência terrorista, desafiaram o primeiro-ministo, José Luís Zapatero, a agir como o seu homólogo britânico, Tony Blair (em relação à Irlanda do Norte), e a negociar um acordo que não contempla a independência.

A reunião de quatro horas entre Zapatero e o lendakari basco, Juan José Ibarrexte, mostrou espírito de diálogo, embora firme e sem concessões. Ibarrexte defendeu a soberania da sociedade basca, a negociar, mas Zapatero recusou claramente, sem excluir o debate e os procedimentos formais.

O projecto foi apresentado e registado no Congresso de Deputados, onde agora se inicia um processo formal de análise e debate que terminará com a votação em sessão plenária (provavelmente em princípios de Março). Se havia dúvidas quanto à posição dos partidos de âmbito nacional (PSOE e PP), não tanto sobre o conteúdo mas sobre as formas e a estratégia, ficaram dissipadas com o acordo de regime estabelecido entre Rodríguez Zapatero e o líder do Partido Popular, Mariano Rajoy.

Não se prevêem surpresas nas próximas semanas, pelo que o de- senvolvimento da questão basca pode ser adiado para o debate no Congresso sobre o «Plano Ibarrexte» ou, ainda, até as eleições autónomas da próxima Primavera. Os nacionalistas vêm-nas como um referendo, em que desejam aumentar a maioria para insistirem no seu projecto soberanista. Socialistas e populares, embora sem fazer a frente comum de há quatro anos, esperam romper essa hegemonia e criar uma alternativa.

A frente agora mais instável pode ser a catalã, onde todos os partidos negoceiam um projecto de reforma do Estatuto autonómico que também prevê mais soberania para a Catalunha - em moldes diferentes do processo basco e respeitando a Constituição.

Mas os independentistas de Esquerra Republicana, que funcionam como «charneira» tanto do Governo catalão, presidido pelos socialistas, como para o primeiro- -ministro, Rodriguez Zapatero, não gostaram nada do acordo PSOE-PP e ameaçam retirar o apoio parlamentar aos socialistas, pelo menos na capital.


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