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por
rudolfo rebêlo
José Sócrates, o secretário-geral do PS, foi ontem claro não vai descer os impostos. Perante uma plateia de mais de 600 empresários, num almoço promovido por cinco câmaras de comércio e indústria, o candidato a primeiro-ministro atreveu-se mesmo a dizer que não baixará o IRC, o imposto sobre os lucros das empresas. Foi omisso na tributação indirecta (IVA) e na lei das rendas, mas «animou» o empresariado ao anunciar investimentos de 20 mil milhões de euros para os próximos anos.
José Sócrates recuou também na intenção de repor os benefícios fiscais no IRS. Na votação orçamental de Novembro último Sócrates votou contra a eliminação dos benefícios - acusando o Governo de Santana Lopes de fazer o «maior ataque» à classe média de que há memória na Democracia portuguesa. Mas ontem, em nome da prometida «estabilidade fiscal» (uma exigência antiga dos empresários), o secretário-geral do PS disse que manterá os cortes nos PPR. E prosseguirá com a baixa da taxa do IRS, o imposto sobre os salários e rendimentos.
Ontem, o secretário geral do PS elegeu a «Confiança», o «Crescimento da Economia» e as «Finanças Públicas» como os três eixos da sua política económica para a próxima legislatura. Promete injectar confiança na economia e quanto ao crescimento da mesma a receita foi dada «Conhecimento, inovação e tecnologia». Estas são, agora, as «palavras-chaves» que o candidato a primeiro-ministro repetirá nas próximas semanas. É, também por aqui que o secretário-geral socialista espera um crescimento anual da economia de 3,0%.
O «choque tecnológico», que ontem foi promovido à categoria de «prioridade», por contraposição ao «choque fiscal» proposto pelo PSD para animar a economia. E para isso, o candidato socialista promete «redireccionar» o investimento público. Mas, avisa, «o Estado não vai intervir, mas indicar o caminho», apontando como alvo a «aposta na produtividade».
Num discurso carregado de mensagens dirigidas ao PSD, Sócrates, conseguiu arrancar aplausos da exigente plateia, apesar de defraudar as expectativas dos empresários, na sua maioria estrangeiros, que esperavam o anúncio de uma baixa de impostos.
É que os homens de negócios gostaram de ouvir o anúncio de um «estímulo» a um «conjunto de investimentos» no valor de 20 mil milhões de euros, para os próximos anos, «maioritariamente privados».
E, onde são os investimentos? Sócrates confirma a aposta no «comboio de alta velocidade» e enumerou áreas, desde o ambiente à energia eólica e «infra-estruturas de comunicações como os alvos predilectos no investimento. Portos e Rodovias também serão alvo de injecção de capitais.
O candidato foi claro ao afirmar à plateia de empresários que não esperem apoios financeiros do Estado. Mas, em contrapartida, prometeu que o «Estado dará linhas de rumo» para a economia». Prometeu o combate à burocracia estatal (ver caixa) e «mais concorrência», apontando as áreas com défice concorrencial energia, combustíveis e telecomunicações.
Nas Finanças Públicas, o secretário-geral do PS promete «estabilidade» e reafirma o compromisso de «na legislatura» colocar o défice dentro do Pacto de Estabilidade.
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