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Pôncio já não faz parte das listas

por

Paulo Baldaia

pedro correia  

Pôncio Monteiro foi número dois da lista do PSD no Porto por menos de um dia. As declarações feitas pelo dirigente desportivo à RDP, no sentido de que não queria Rui Rio a seu lado a fazer campanha, foram o motivo invocado para lhe retirar o convite, disse ao DN fonte da direcção do PSD.

A inclusão de Pôncio Monteiro na lista de candidatos gerou, aliás, um terramoto político entre os sociais-democratas. O DN sabe que Rui Rio não foi ouvido para incluir o ex-dirigente do Futebol Clube do Porto na lista de candidatos a deputado e «não mexeu uma palha» para o retirar, mas o mal-estar que a ligação da política ao futebol causa no autarca portuense é conhecida. Aguiar-Branco, escolhido por Santana para encabeçar a lista do Porto e amigo pessoal de Rio, não partilha com o autarca do Porto a mesma «fobia» em relação à participação de dirigentes desportivos na vida política, mas o DN sabe que o ainda ministro da Justiça não gostou de ver Pôncio Monteiro «entrar numa lógica de divisão, quando importava acrescentar».

O convite a Pôncio Monteiro para entrar na lista liderada por Aguiar-Branco foi feito pessoalmente por Pedro Santana Lopes e não mereceu rejeição pronta do cabeça de lista que não aceitou, no entanto, que um dos candidatos do PSD tivesse começado a campanha atacando precisamente o número dois do partido.

As relações do primeiro vice- -presidente do PSD com o líder Pedro Santana Lopes têm, aliás, vindo a piorar, muito por causa do tema futebol. No convite a Pôncio Monteiro, Rui Rio uma vez mais não foi consultado, sabendo-se que, por uma questão de princípio, o político que mais combateu o Totonegócio aconselharia Santana a não avançar.

Recentemente, depois de Pinto da Costa ter dito que iria defrontar pessoalmente o social-democrata nas próximas autárquicas, e perante o aproveitamento político do PS neste caso, o primeiro-ministro não demorou mais de 48 horas a anunciar que iria ao Porto para entregar uma medalha ao Futebol Clube do Porto. Para tentar que o PSD não fosse prejudicado pela força do clube na região, era de esperar que Santana Lopes fizesse uma aproximação, mas para alguns sociais-democratas ficou difícil de entender que o líder do partido não tivesse esperado algum tempo para proteger o seu número dois.

JOGO FALADO. Contactado ontem pelo DN, antes de se saber da sua saída das listas, Pôncio Monteiro desvalorizou os anticorpos que o seu nome está a gerar no PSD do Porto. E respondeu no seu jeito bem característico, a que o País se habituou quando o ouvia como comentador do programa Jogo Falado, que durante anos foi exibido na SIC. Pôncio era comentador, na qualidade de simpatizante do FC Porto, e Santana Lopes integrava igualmente o painel de comentadores, como adepto do Sporting. Data dessa época a relação de amizade entre ambos. Uma amizade que originou o convite de Santana a Pôncio para as listas do Porto.

«Sou militante do PSD. Mas nunca estive directamente ligado à política. Limitei-me a corresponder a um convite de Pedro Santana Lopes, que entendeu que eu poderia ajudar o partido nas legislativas. Ficou claro, desde o início, que eu teria o apoio dele e da distrital do Porto. Atendendo à consideração e amizade que tenho por ele e ao facto de o País estar neste momento numa situação de crise profunda, entendi que devia corresponder ao convite», declarou Pôncio Monteiro ao DN.

O ex-dirigente do FC Porto mostrou-se consciente de que é uma personalidade polémica. Mas desvalorizou o facto, sublinhando que «nem Deus, que é Deus, consegue agradar a todos». Em relação a Aguiar-Branco, reconhece que não tem uma relação de proximidade com ele. Interrogado, por outro lado, se estaria disponível a partilhar o palco de um comício com Rui Rio, afirmou «Por mim, não tenho problema. Se ele tiver, o problema é dele.» Já em relação a um possível apoio ao actual presidente da Câmara do Porto nas próximas autárquicas, nem uma palavra de compromisso. «Legislativas são legislativas, autárquicas são autárquicas. Até lá, muita água há-de correr debaixo da ponte...»


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