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OMinistério da Educação decidiu realizar exames nacionais no fim da escolaridade básica. Em Junho de 2005, os alunos do 9.º ano de escolaridade terão exames nacionais nas disciplinas de Língua Portuguesa e de Matemática.
É surpreendente que só agora haja exames, e que estes apenas abranjam a Matemática e a Língua Portuguesa. Mas é ainda mais surpreendente que o que deveria corresponder a uma prática rotineira tenha sido alvo de forte contestação.
Os sindicatos dos professores são contra os exames, alegadamente porque nem todos os alunos começaram as aulas ao mesmo tempo e porque os exames não são a melhor forma de avaliar. Por seu lado, a Confederação Nacional das Associações de Pais veio também manifestar-se contra os exames.
Numa tentativa de apaziguamento, o Ministério baixou o peso dos exames na nota final de 30% para 25% e decidiu que em 2005 os exames não incluiriam matéria do 7.º e 8.º anos, apesar de serem exames que deveriam obedecer a uma lógica de avaliação de todo o 3.º ciclo do ensino básico. As cedências não aplacaram os grupos referidos, que continuam a pressionar contra os exames.
A história dos exames do 9.º ano é uma história exemplar. As comparações internacionais provam que o nosso sistema de ensino é muito ineficiente e produz alunos ignorantes e pouco empenhados.
Os professores universitários queixam-se de os alunos chegarem à universidade sem conhecimentos e sem hábitos de trabalho. Os professores do ensino secundário queixam-se de os alunos chegarem do básico sem saber um mínimo e incapazes de estudar.
Mas a verdade é que sem exames nacionais não temos nenhum instrumento objectivo e global que nos permita ter uma ideia do estado em que os alunos estão quando acabam o 9.º ano.
Que os sindicatos de professores não queiram exames não é surpreendente. Que as Associações de Pais também não os queiram é estonteante. Enterram a cabeça na areia e recusam-se a ver o estado de ignorância e impreparação para a vida profissional das gerações afectadas.
Parece que o importante não é resolver o problema mas sim continuar a escondê-lo. Se for esse o caso, estamos perante mais uma situação do País a negar a realidade.
Os portugueses não produzem mas endividam-se para consumir. Não querem esforço e exigência na educação mas deploram o baixo crescimento da produtividade e os baixos salários. Usam o álibi das desigualdades para matar a avaliação a sério quando é óbvio que quem mais perde com um ensino degradado e facilitista são os alunos mais carecidos, já que para os outros as famílias compensam melhor as deficiências do ensino.
Será que nós continuaremos sob a ilusão de que a prosperidade está garantida sem esforço? Ou será que vamos finalmente perceber que precisamos de reformas incómodas e mais exigência connosco e com os nossos filhos para superarmos a distância que nos separa da Europa e das nossas ambições?
Se os exames do 9.º ano sempre se realizarem, e sem mais abastardamentos, isso será um pequeno sinal positivo.
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