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por
Francisco
sarsfield cabral
A propósito da polémica sobre o tratado constitucional da UE, muitas críticas foram feitas, também nesta coluna, à atitude dos franceses. À esquerda e à direita, predomina em França um sentimento de medo do futuro - medo da globalização, das deslocalizações, da concorrência dos novos membros da União, das importações da China, etc. O receio tem a ver com a ameaça que tudo isso representa para o nível de vida e para a protecção social de que hoje gozam os franceses.
Mas, do ponto de vista da eficácia económica, a França não é um "doente" na Europa, como era a Grã-Bretanha antes da sr.ª Thatcher e hoje é a Itália de Berlusconi. Os serviços públicos franceses funcionam em geral muito bem, a começar pela saúde. E, no conjunto da economia, a produtividade horária em França é superior à que se regista nos Estados Unidos. Apenas acontece que os franceses trabalham menos horas do que os americanos. A média é de 1467 horas anuais de trabalho em França, contra 1820 nos EUA. Em 2000, o Governo socialista de Jospin fez aprovar a lei das 35 horas, culminando sucessivas lutas vitoriosas das centrais sindicais para reduzir o tempo de trabalho. A tendência para trabalhar menos é, de resto, geral na Europa. Mas é recente em 1970, os europeus trabalhavam mais horas do que os americanos. Agora sentem-se ricos e preferem descansar.
É uma opção legítima e racional a partir de um certo nível de riqueza, até faz sentido preferir ter mais tempo livre a ganhar mais dinheiro a trabalhar. Apenas acontece que, com a globalização e com a baixa taxa de natalidade, os franceses não irão conseguir manter o seu excelente Estado social se não trabalharem mais tempo. Algo que os alemães já começaram a perceber, prolongando períodos de trabalho sem aumentos salariais. Não se pode ter tudo.
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