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Bush recusa definir calendário para retirada do Iraque

por

manuel carlos freire  

O Presidente norte-americano reafirmou ontem que não será definido um prazo para a retirada das tropas dos EUA destacadas no Iraque.

George W. Bush falava depois do encontro com o primeiro-ministro iraquiano, Ibrahim al-Jaafari, na Casa Branca, num momento em que o Pentágono anunciava a morte de mais dois marines no Iraque - num ataque suicida em Fallujah, na noite de quinta-feira, do qual resultaram ainda quatro militares desaparecidos (presumivelmente mortos) e 13 feridos.

Numa conferência de imprensa que funcionou como tiro de partida de uma campanha de relações públicas dirigida aos cidadãos americanos - cada vez exigentes no regresso das tropas aos EUA - e que prossegue terça-feira com um discurso à Nação, Bush frisou que "não vai haver um calendário" de retirada "porque seria dizer ao inimigo eis o calendário, esperem pela nossa partida".

Bush enfatizou a importância dos progressos políticos dos últimos meses e garantiu que os EUA vão continuar no Iraque, a formar as novas forças de segurança iraquianas. "O caminho não será fácil", pois "as mortes e as bombas sublinham o facto de que um inimigo violento e sem escrúpulos, sem respeito pela vida humana se opõe à liberdade do Iraque", observou o Presidente norte-americano.

Ibrahim Jaafari, naquela que é a sua primeira visita a Washington depois de nomeado primeiro-ministro, assegurou, por sua vez, que "o processo político [iraquiano], que inclui os árabes sunitas, destruirá os terroristas". Na véspera, no Congresso, ouviu senadores republicanos e democratas insistirem na necessidade de Bagdad aprovar a nova Constituição (prevista para Agosto) e realizar eleições legislativas em Dezembro - pois os EUA não estão dispostos a "assumir o fardo da segurança do país" por tempo indeterminado, disse o vice-presidente da Comissão das Forças Armadas do Senado, o democrata Carl Levin.

Também a senadora republicana Susan Collins, presidente da Comissão de Segurança Interna, se interrogou "Não será útil enviar a mensagem de que haverá consequências se não houver progressos?"

Tribunal. Num dia em que os ataques dos rebeldes mataram mais de uma dezena de iraquianos, um deles representante do principal líder religioso xiita, o Grande Ayatollah Ali Sistani, e em que foram descobertos os corpos baleados de outros 11, decorreu em Istambul mais uma sessão do chamado Tribunal Mundial sobre o Iraque (fundado por organizações não governamentais). Um dos intervenientes, um ex-adjunto do secretário-geral das Nações Unidas, afirmou na ocasião que a gestão da crise iraquiana feita pela organização constituiu "um desastre maciço".


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