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por
susana salvador
A comissão parlamentar de inquérito sobre os atentados de 11 de Março de 2004 (11-M), em Madrid, apresentou ontem as suas conclusões aprovadas na véspera. As maiores críticas vão para o Governo de José María Aznar, acusado de não ter valorizado a ameaça islamita antes do atentado que causou a morte a 192 pessoas e de ter passado "informação tendenciosa" sobre o ataque (insistindo na pista da ETA) para preservar as hipóteses de reeleição nas eleições de 14 de Março.
Estas conclusões, que foram rejeitadas pelo Partido Popular (PP) - no poder na altura do atentado -, deverão ser submetidas a votação no Parlamento dia 30 de Junho. A Associação de Vítimas do Terrorismo e a Associação de Ajuda às Vítimas do 11-M anunciaram uma "grande mobilização" para que a comissão não encerre os trabalhos, já que "ainda há muitas lacunas" sobre o atentado.
Num relatório de 466 páginas (218 de anexos) dividido em quatro partes - a última, aprovada por unanimidade, com recomendações para evitar novos ataques e melhorar a forma como as vítimas são tratadas - sublinha-se que os autores do atentado "são terroristas islamitas e não têm nenhuma relação com a ETA".
A comissão refere ainda que a resposta do Estado à ameaça islamita foi insuficiente, "com uma evidente subavaliação dos riscos" anunciados por diversas fontes policiais e internacionais", em especial após os atentados de 11 de Setembro de 2001 nos EUA e o apoio à guerra do Iraque.
A forma como o Governo de Aznar lidou com a crise também é alvo de críticas. "É possível afirmar que a atitude do Governo foi exclusivamente motivada por interesses do partido", conclui a comissão parlamentar, lembrando que, mesmo perante "o mais grave atentado terrorista da história de Espanha", nem sequer foi reunido o gabinete de crise. Mais, que foi feita uma "gestão egoísta, centrada na manipulação informativa e no monopólio dos meios de comunicação".
Os media públicos são acusados pela comissão do 11-M de parcialidade ao manter apenas a versão oficial dos factos. A TVE, por exemplo, terá ignorado o telefonema da ETA ao diário basco Gara para negar a sua responsabilidade no atentado e também não terá difundido as declarações do porta- -voz do ilegalizado Batasuna, Arnaldo Otegi, logo dia 11, nas quais este negava que os etarras estivessem implicados nos ataques.
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