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por
susana leitão
Dez mil polícias - segundo os sindicatos - manifestaram-se ontem em Lisboa contra as alterações promovidas pelo ministro da Administração Interna (MAI), António Costa, aos subsistemas de saúde e congelamento na progressão das carreiras. E caso o Executivo não aceite negociar estas reformas na próxima reunião, dia 30, as forças de segurança ameaçam avançar para formas de luta mais duras. "A PSP e a GNR não podem fazer greve. Mas temos imaginação suficiente para criar outras formas de luta que reforcem a nossa posição", disse Alberto Torres, da Comissão Coordenadora Permanente dos Sindicatos e Associações dos Profissionais das Forças e Serviços de Segurança (CCP).
O sindicalista fez questão de frisar que esta manifestação é "um aviso muito claro ao Governo. O Ministério da Administração Interna tem de repensar rapidamente a sua estratégia relativamente às polícias. Nós queremos colaborar, já manifestámos essa disponibilidade, embora tenhamos a razão do nosso lado, mas é preciso que o Governo dê sinais de que quer efectivamente dialogar, nomeadamente quanto ao congelamento das carreiras e aos subsistemas de saúde na GNR e na PSP", disse, confessando que "ainda esperamos que o Governo recue".
PROTESTO. A manifestação foi convocada pela CCP e contou com a presença de cinco sindicatos. A concentração de ontem estava marcada para as 17.00 na Praça dos Restauradores. No entanto, devido ao elevado número de participantes, só saiu rumo à Assembleia da República, com passagem obrigatória pelo MAI, uma hora depois. Apitos, muitas bandeiras, polícias à paisana e fardados uniram-se contra aquilo que entendem como "uma falta de respeito pelos nossos direitos". E para quem todos os dias tem como função manter a ordem nas cidades, os manifestantes invadiram a estrada e cortaram o trânsito. A marcha arrancou com o grito em uníssono "Mentiroso, Mentiroso." Houve quem "viajasse" de cadeira de rodas com sirene. Numa espécie de carro-patrulha do futuro. Um protesto da Associação dos Profissionais da Guarda contra o aumento da idade da reforma, que passará dos 55 aos 60 anos: "Atenção: frágil GNR com 60 anos." Muitos levaram mesmo uma bengala, "para dar uma imagem irónica da proposta do Governo", explicavam.
E se se esperava uma grande manobra policial para controlar os manifestantes, tal não aconteceu. Pouco mais de uma dezena de polícias, à frente do pelotão, guiavam a marcha. Na rua foram-se juntando dezenas de observadores. "É a maior manifestação de polícias alguma vez realizada", frisava ao DN Alberto Torres.
O ponto alto do protesto deu-se na Praça do Comércio, frente ao MAI. Apesar de não ter havido tempo para permitir que todos se juntassem naquela praça, gritou- -se alto "aldrabão". Segundo um agente da polícia que estava de serviço, quando a cabeça da manifestação chegou àquele ministério, a sua cauda estava a entrar na Rua do Ouro. Uma imagem que reflecte bem o número de participantes.
O destino era a Assembleia da República (AR). Caminhava-se devagar, pois o objectivo era não dispersar, manter a unidade. Depois de mais de duas horas da partida, chegou-se à AR. O momento mais forte de toda a tarde.
Foi ali que pela primeira vez num longo percurso, os ânimos aqueceram. A liderar a manifestação ia um cortejo fúnebre, de um agente morto. O objectivo era enterrá-lo nos jardins da AR. Um agente, de serviço, não gostou da brincadeira e trocaram-se as primeiras palavras mais violentas entre colegas de profissão. Palavras que se tornaram mais violentas quando chegou um reforço de segurança. No ar ficaram palavras de luta e de unidade e a certeza que, caso o Governo não repense a sua posição, a luta vai endurecer.
NOVO PROTESTO. A Plataforma das Forças de Segurança vai manifestar-se hoje, às 17.30, na Praça do Comércio.
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