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por
Francisco
sarsfield cabral
O Governo tem contra si várias corporações da função pública. Era inevitável, desde que quis pôr alguma ordem nas contas do Estado. É normal que grupos profissionais que perdem "regalias" lutem para as manter. Já é menos saudável que o façam com tão manifesto desprezo pelo serviço dos cidadãos, razão de ser da administração pública. Poderia haver, ao menos, alguma hipocrisia, que é a homenagem que o vício presta à virtude. Mas não a prioridade absoluta que esses profissionais (ou os que por eles falam) atribuem aos seus interesses particulares saltou para a praça pública sem tentativa de disfarce.
Magistrados e juízes ameaçam com greves porque lhes cortam nas longas férias. Mas como explicam eles a dramática lentidão da justiça portuguesa, quando o nosso sistema judiciário envolve muito mais gente, proporcionalmente à população, do que os sistemas da maioria dos países europeus? Dirão que a culpa é dos governos. E é - mas não pelas razões que eles julgam os políticos deram tempo de mais carta branca às corporações da justiça para mandarem no sistema.
Com os sindicatos de professores o descaramento é ainda maior. Eles dominam o Ministério da Educação há décadas, conseguindo que o Estado gaste com os professores mais do que a média europeia, produzindo um ensino péssimo. Os sindicatos já obtiveram tudo dos governos. A educação é feita para os professores, não para os alunos - como se viu na tentativa de boicotar os exames. Mas agora os sindicatos têm o problema da diminuição da população escolar, fruto da baixa natalidade. Solução aumentar a escolaridade para manter os empregos.
O Governo tem de vencer estas primeiras batalhas, sob pena de perder a guerra. Mas a tarefa é-lhe facilitada pela óbvia falta da ética de serviço público dos contestatários.
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