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Lula dirige forte crítica à oposição

por

rudolfo lago

correspondente em brasília  

O Presidente brasileiro, Lula da Silva, disse terça-feira à tarde (noite em Lisboa) que as recentes denúncias de escândalos de corrupção são fruto do desespero da oposição, diante da perspectiva da sua reeleição. E desafiou "Ninguém neste país tem mais autoridade moral e ética para fazer o que precisa ser feito." Mas, ao mesmo tempo, Lula parece estar a ter dificuldades em concluir a remodelação ministerial que quer fazer para dar um novo fôlego ao Governo.

"Eu sei que a oposição tem mais pressa, é sempre assim. Um mandato para quem está no Governo é curto, só quatro anos, mas para quem está na oposição é uma eternidade", acrescentou Lula. O discurso do Presidente, na abertura de um congresso de agricultores em Anápolis, perto de Brasília, funcionou como mais uma provocação para a oposição. "Ficamos com gosto de sangue na boca", comentou o deputado Eduardo Paes, do Partido da Social Democracia Brasileiro (PSDB).

Certo é que a velocidade a que caminha o apuramento da verdade nas denúncias dos escândalos do "mensalão" e dos Correios (ver caixa) está a assustar o Governo. Lula tenta dar respostas à sociedade civil, dizendo que pretende transformar a luta contra a corrupção numa "prática quotidiana", mas começa também a dar demonstrações de que os seus nervos estão à flor da pele. Ainda mais quando está a ter dificuldades em remodelar o seu Executivo, depois da recente saída do ministro da Casa Civil, José Dirceu - que ontem regressou ao Parlamento.

O Presidente substituiu a semana passada Dirceu - directamente envolvido nas denúncias do "mensalão" feitas pelo líder do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), Roberto Jefferson - pela ex-ministra das Minas e Energia, Dilma Roussef. Mas não consegue avançar nos outros pontos de seu projecto de remodelação governamental. A falta de tacto político de Roussef provocou críticas entre os parlamentares.

Lula também sabe que precisa de ter um ministro da Coordenação Política e pensou nomear o ministro do Conselho de Desenvolvimento Económico e Social, Jaques Wagner. Mas esta possibilidade voltou a gerar novas críticas. Na remodelação que pretende fazer o Presidente gostaria ainda de dar mais poder ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), mas esta formação partidária já não sabe se vale a pena aprofundar agora a sua relação com o Governo.

Os membros do PMDB resolveram adiar qualquer negociação com o Chefe do Estado até ao regresso do senador José Sarney, ex-presidente brasileiro e um dos principais líderes do partido. Sarney está em França e só deve regressar ao Brasil na sexta-feira. Até lá, provavelmente, Lula não conseguirá concluir a sua remodelação ministerial.


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