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Gama defende revelação de "vinculações"

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carlos rodrigues lima  

Os 200 anos de história do Grande Oriente Lusitano (GOL) estão, desde ontem, abertos ao público, num museu inaugurado pelo presidente da Assembleia da República (AR), Jaime Gama. O primeiro socialista, como o próprio revelou, a ocupar aquela cadeira não sendo maçon. Durante a inauguração, o mote das conversas andou sempre à volta da "transparência" da maçonaria. Jaime Gama defendeu que quem ocupe "cargos de responsabilidade" deve revelar as suas filiações. O grão-mestre do GOL, António Arnaut, deixou uma provocação "O que aconteceria a um administrador do BCP se fosse conhecido que era maçon?".

Estas duas ideias, transparência e discrição, rodearam as conversas que jornalistas e alguns maçon foram tendo durante a visita ao palácio maçónico, o que se abriu aos profanos. No discurso que proferiu, António Arnaut, que durante o seu mandato impulsionou uma política de abertura da maçonaria à sociedade "profana", vincou a tese da transparência "Só é respeitado o que se conhece. O que não se conhece não é respeitado". No entanto, e admitindo que alguma dessa transparência não parte da iniciativa da própria maçonaria, António Arnaut recordou as "perseguições" históricas aos maçons: da Inquisição, do miguelismo, Pina Manique até ao regime de Salazar. Daí que, na sua opinião, estes anos de história ainda constituem uma espécie de entrave psicológico para que os maçons se revelem na sociedade.

Jaime Gama, por sua vez, começou por apresentar-se no palácio maçónico como uma pessoa que não "conhece bem" a organização. Do que sabe, afirmou, é pelos jornais e por outras publicações que vai lendo. Ainda assim, o presidente da AR exortou os maçons a "darem-se a conhecer melhor, de uma maneira moderna" e que correspondam " ao apelo da sociedade" que quer "conhecer" mais sobre a maçonaria. Este é, segundo Jaime Gama, um comportamento que a maçonaria deve adoptar numa sociedade moderna, transparente.

Após os discursos de boas vinda, tanto o presidente da AR, como os jornalistas, foram guiados pelos "segredos" e pela história do palácio maçónico do Bairro Alto. A primeira paragem foi num arquivo que guarda registos dos maçons ilustres. Folheando um livro amarelecido pelo tempo, António Arnaut mostra a ficha do Nobel português Egas Moniz, iniciado em 22 de Dezembro de 1910 .

O grão-mestre afirmou que a Maçonaria "não tem segredos", mas durante a visita não deixou de referir que há palavras e rituais e até um livro fechado numa casa- forte que são segredos "dos irmãos". Nesse livro, estão os nomes do maçons expulsos por comportamentos incorrectos. "Felizmente não escrevi lá nada durante o meu mandato", disse. A abertura do museu é um passo para a abertura da maçonaria à sociedade, como disseram alguns maçons ao DN. "Há uns anos atrás, isto era impensável", acrescentou um deles.


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