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Palavras como "democracia", "liberdade", "direitos humanos", "comunismo", "socialismo", "capitalismo", "independência de Taiwan", "Tibete", "Dalai Lama", "Tiananmen" e "Falun Gong" estão a ser censuradas nos blogues chineses. Essa censura resulta de uma colaboração entre a empresa americana Microsoft e as autoridades da República Popular da China.
As restrições estão incluídas no MSN Space, um serviço de blogues lançado na China, em Maio, pela Shanghai MSN Network Communications Technology, empresa da qual a Microsoft detém 50 por cento do capital. Um porta-voz da empresa americana, Adam Sohn, disse à agência Associated Press que as restrições são o preço que a companhia tem de pagar para espalhar os benefícios dos blogues e das mensagens online.
"Mesmo com os filtros, estamos a ajudar milhões de pessoas a comunicar, partilhar histórias e fotografias e a construir amizades. Para nós isso é que interessa", afirmou Adam Sohn.
Esta atitude da Microsoft segue-se ao elogio que Bill Gates, o dono da empresa, fez dos dirigentes chineses que combinam a economia de mercado com um rígido controlo político. "É uma nova forma de capitalismo, e, para o consumidor, é a melhor coisa que aconteceu", referiu Bill Gates há alguns meses.
A questão da participação da Microsoft na censura aos blogues na China foi denunciada num artigo publicado no início desta semana no jornal Financial Times, que revelava que palavras como democracia e liberdade eram "apagadas" na versão do site MSN.
Segundo o Financial Times, o site bloqueia frases anti-comunistas enviando uma mensagem de erro a todos os que utilizam essas palavras, para evitar que as autoridades chinesas fiquem melindradas com essa utilização.
A mensagem refere "Este item contém palavras proibidas, por favor apague-as."
O programa de censura é bastante selectivo e politicamente orientado. Por exemplo, a palavra "manifestação" é tabu, mas o termo "protesto" pode ser utilizado. O mesmo verifica-se com "democracia", que é uma palvra proibida, mas "anarquia" e "revolução" não são censuradas.
A Microsoft espera ter 100 milhões de utilizadores chineses este ano. Somente nos Estados Unidos existem mais pessoas online.
A Microsoft não é a única empresa a aceitar a censura na China, de acordo com os Repórteres sem Fronteiras (RSF) - a Yahoo tem uma política semelhante. Os RSF salientam que as multinacionais devem "respeitar princípios éticos básicos". Por isso, o grupo de defesa dos direitos dos jornalistas critica a colaboração entre a Microsoft e as autoridades chinesas.
Entretanto, o ministro chinês da Indústria ordenou aos criadores de blogues que registem os respectivos sites até ao fim deste mês. Caso contrário serão fechados.
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