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'Manif' de 'skinheads' leva Corpo de Intervenção à rua

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carlos rodrigues limasofia jesus*  

Mais de duzentos manifestantes são esperados no próximo sábado, no Martim Moniz, em Lisboa, num protesto "contra o aumento da criminalidade", organizado pela Frente Nacional, um grupo de extrema-direita. Embora, oficialmente, a PSP remeta mais informações para esta tarde, o DN apurou que a polícia já está a preparar um dispositivo de segurança, para evitar confrontos. No entanto, o Governo Civil de Lisboa assegura que ainda não recebeu a comunicação do evento, como manda a lei.

Segundo fontes da PSP, ouvidas pelo DN, está previsto "um policiamento visível" na zona do evento, quer para evitar confrontos com eventuais "contra-manifestações" - organizadas ou espontâneas -, quer para prevenir a ostentação de símbolos nazis ou xenófobos, sobretudo num local conhecido pela afluência de vários grupos de imigrantes. Outro factor que está a ser avaliado pelas forças policiais é o jogo de futsal Benfica-Sporting, marcado para essa tarde. A PSP considera que muitos dos protestantes seguirão para o jogo.

As brigadas de investigação da GNR, que têm seguido o fenómeno nas zonas periféricas da cidade, margem sul, Loures ou Alenquer, consideram que estes grupos de manifestantes "são núcleos residuais, sem grande expressão, mas estão a aumentar" e "podem arrastar as camadas mais jovens", explorando "os sentimentos de insegurança".

Aliás, sobre o fenómeno do neonazismo em Portugal, o Serviço de Informações e Segurança (SIS) , no relatório de Segurança Interna de 2004, afirma que este está "circunscrito a pequenos focos de acção irregular, com manifestações públicas muito restritas e contidas. Algumas franjas políticas radicais, embora mantendo as suas convicções, não alargaram a sua base popular de apoio". Neste relatório as claques de futebol são referidas como um terreno fértil para a divulgação da ideologia.

Contactado pelo DN, o Comando Metropolitano de Lisboa da PSP remeteu para hoje à tarde a divulgação de mais detalhes sobre a intervenção da polícia no sábado. "Neste momento ainda estamos a recolher informações sobre a manifestação e está a ser montado o planeamento de acompanhamento", afirmou ao DN fonte do gabinete de relações públicas.

"Se o Governo civil não nos der conhecimento da comunicação, a manifestação não estará autorizada e, como tal, actuaremos em conformidade com a lei, identificando os promotores da acção", acrescentou o mesmo responsável.

No site do movimento, os responsáveis da Frente Nacional justificam a iniciativa como forma de contestar o aumento da "criminalidade dos gangs" em "mais de 400% nos últimos anos". O apelo, que surgiu ainda na sequência do arrastão na praia de Carcavelos, é dirigido "a todos, independentemente da sua ideologia ou filiação partidária, que querem mais justiça, mais liberdade e um efectivo combate à criminalidade, nas suas raízes e origens".

Ontem um elemento da organização da manif disse ao Correio da Manhã ter comunicado o evento junto do governo civil. Mas o chefe de gabinete da Governadora Civil de Lisboa, António Sardinha, assegurou ao DN que, até ao final do dia de ontem, não tinha dado entrada qualquer comunicação sobre a manifestação de sábado.

Segundo explicou o responsável, o Decreto-Lei 406/74, sobre o direito de reunião, determina que todas as manifestações ou desfiles devem ser comunicadas ao respectivo governo civil, "por escrito", com "uma antecedência mínima de 48 horas". Ou seja, "teoricamente, a comunicação - que não é um pedido de autorização - deve dar entrada amanhã [hoje]".

Para António Sardinha, o objectivo da lei é permitir ao governo civil e às autoridades competentes que tomem medidas "a propósito de trânsito ou percursos", de modo a "acautelar o bem-estar e segurança dos cidadãos". "Tem que se analisar sempre os objectivos, as circunstâncias e os percursos, em conjunto com todas as entidades. Tudo pode acontecer", disse o chefe de gabinete do governador civil.

* Com Carlos Ferro


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