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por
luísa botinas
Mário Soares, um dos protagonistas da adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia, considera que - 20 anos depois, numa altura em que a Europa vive tempos conturbados - "no referendo marcado para Outubro próximo o povo português irá dizer sim ao Tratado Constitucional, se este não vier a ser renegociado antes, como alguns reclamam. O que poderia ser uma forma de ultrapassar o impasse criado".
O antigo primeiro-ministro do Governo do Bloco Central (PS/PSD), que, com a sua assinatura e a de Rui Machete, selou um longo processo de adesão de Portugal à CEE, foi uma das individualidades que ontem reviveram o passado nos claustros dos Jerónimos, lembrando etapas percorridas com os olhos postos no futuro. A iniciativa de juntar todos, 20 anos depois, foi do chefe do Governo português. Sócrates conseguiu ainda trazer a Lisboa um convidado muito especial Felipe González, também ele responsável pela entrada de Espanha na Comunidade na mesma altura.
Do ex-presidente do Governo espanhol veio a intervenção mais inspirada. Num improviso imparável, González reflectiu sobre o caminho percorrido e lançou questões sobre a estrada que se abre à Europa de hoje. "Os nossos países mudaram muito com a Europa e nós mudámos muito a Europa, mas hoje em dia é preciso dar resposta a três importantes questões que se colocam. Será que o modelo social europeu pode sobreviver em cada país da União? Poderemos nós competir com os países emergentes nesta era de globalização? Poderemos competir com os EUA, que avança tecnologicamente?" A todas estas perguntas González diz que o cidadão comum não consegue dar resposta porque no seu entender "falta o debate sobre o poder que a Europa tem e o poder que quer ter".
À geração que o primeiro- -ministro português representa Felipe González endossa a missão de cumprir o desafio.
Sócrates, por seu turno, mostrou-se confiante. "É justamente neste momento de dificuldades que a Europa atravessa que considero indispensável afirmar que o projecto europeu continua a ser o projecto político mais importante e mais decisivo dos nossos dias", sublinhou, lembrando que "se há valor de sempre que é preciso preservar nesta altura é o valor da coesão social, o valor da solidariedade, que foi sempre um dos valores mais importantes no modelo de desenvolvimento europeu".
Quanto aos 20 anos percorridos no seio da Europa primeiro a 12 e já agora a 25, Sócrates considera que "Portugal soube estar à altura do desafio".
Com a ideia de que é preciso empenho na mudança perante a crise - transversal à maioria das intervenções - também Jorge Sampaio a reafirmou. "A Espanha, ao ratificar o tratado constitucional, deu já um importante passo no caminho então encetado. Estou seguro de que Portugal, quando para isso for chamado, estará à altura das suas responsabilidades, reafirmando a sua vontade de não se desviar da rota de unidade europeia."
Jaime Gama, outro dos protagonistas da assinatura do Tratado de Adesão, era ontem um homem satisfeito com o caminho percorrido pelo País. Olhando para a sua imagem na fotografia de há 20 anos projectada nos Jerónimos, destaca alguns dos pontos altos do percurso "A criação de uma política externa de segurança comum; o euro, com a criação da União Económica e Monetária; e o desenvolvimento, mais recente, de uma política de justiça e assuntos internos, orientada para um espaço europeu de liberdade, segurança e justiça".
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