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"Todos têm direito a opiniões pessoais"

 

Qual é a sua opinião pessoal sobre o referendo europeu? Deve manter-se o calendário que está em cima da mesa?

Não é o facto de o "não" ter ganho em França e na Holanda e de o Governo do Reino Unido ter decidido suspender a marcação do referendo que deve impedir os portugueses de dizerem se concordam ou não com o tratado constitucio-nal. Recuso-me, como português e como europeu, a pensar que um país, qualquer que seja, tenha direito de veto sobre o processo de construção europeia.

Não é bizarro que num Governo que apoia o "sim" o MNE diga que o tratado é "inviável"?

O MNE produziu opiniões que o próprio considerou que o vinculavam pessoalmente, logo, não tenho nenhum comentário a fazer.

Os ministros têm direito a ter opiniões pessoais, mesmo contra a política do Governo?

É um direito que a Constituição dá a toda a gente. Eu tenho uma concepção muito aberta sobre o que é a liberdade de opinião, mesmo daqueles que estão dentro de parti-dos e são membros do Governo, como é o meu caso. A minha posição pessoal sobre a despenalização do aborto não coincide com a da direcção do meu partido e eu não escondo isso.

Se a mesma pessoa diz uma coisa de manhã e o contrário à tarde, isso não lança a confusão na cabeça das pessoas?

Se as confusões fossem essas, nós viveríamos no melhor dos mundos. Os portugueses estão habituados a que o PS seja um partido que se caracteriza porum debate vivo e eu verifico que essa boa prática já contamina as pessoas que trabalham connosco.

Todos os nomes apontados como bons candidatos presidenciais do PS dizem que não estão disponíveis. O PS tem um problema com as presidenciais?

Não. Pode é haver um excesso de confiança do PS e da esquerda. A esquerda está habituada a ter presidentes eleitos com o seu apoio, mas não está escrito em lado nenhum que haja uma espécie de maioria sociológica de esquerda que garanta que o próximo Presi-dente da República seja também apoiado pela esquerda. Para mim é muito simples a partir do momento em que esteja formalizada a primeira candidatura credível a PR, o PS não deve demorar a explicar quem é o seu candidato.

Ferro Rodrigues considera que um PR de centro-direita pode ameaçar a governabilidade. Concorda?

Não. Acho que o sistema político português está consolidado, estabilizado e amadurecido.


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