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Referendo abre brechas no PSD

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francisco almeida leite  

A reunião do grupo parlamentar do PSD de ontem ficou marcada por críticas de vários deputados à condução política da direcção do partido em dossiers como o referendo europeu, o apoio ao projecto do Bloco de Esquerda de levantamento do sigilo bancário e a falta de solidariedade com o anterior Governo invocada por santanistas.

Deputados como José Freire Antunes, Paulo Rangel e Paulo Pereira Coelho puseram em causa a posição do PSD depois dos "nãos" em França e na Holanda, tendo o primeiro sido mesmo bastante duro. Freire Antunes defendeu a possibilidade de o próximo Conselho Europeu, a 16 e 17 de Junho, em Bruxelas, poder "matar" o Tratado Constitucional, pelo que apelou a que Marques Mendes para acabar com o que terá definido como "um tacticismo cego". O deputado-historiador será também contra os que definem a revisão constitucional extraordinária - que permitiu a simultaneidade de eleições e referendo - como a primeira vitória política de Marques Mendes e terá dito que o partido devia antecipar uma nova posição sobre o tratado. Contactado pelo DN, o deputado acrescentou só que "a posição do PSD nesta matéria é conhecida."

Estas críticas surgiram apenas algumas horas depois de um vice-presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, ter feito uma intervenção considerada "fortíssima" no Conselho Nacional que acabou na madrugada de ontem. Passos Coelho terá revelado ter bastantes reticências a este tratado e considerado que o PSD não deve insistir na realização do referendo, sob pena de ser ultrapassado pelo que for decidido em Bruxelas. O DN tentou obter a reacção de Passos Coelho a esta informação, o que não foi possível até ao fecho da edição.

águas agitadas. Na reunião da bancada ouve mais questões quentes, como a interpelação de Miguel Relvas, ex-secretário-geral de Durão Barroso e Santana Lopes, que contestou o apoio do PSD ao projecto do Bloco de Esquerda de levantamento do sigilo bancário. Mas uma das intervenções mais esperadas era a de Rui Gomes da Silva, ex-ministro dos Assuntos Parlamentares, que havia anunciado querer saber o que pensava a direcção do partido sobre a entrevista do vice-presidente Eduardo Azevedo Soares à Sábado - onde reconhecia razão a Jorge Sampaio na dissolução e admitia imperfeições no Orçamento do Estado.

Numa alocução secundada por Pereira da Costa e Rosário Águas, Gomes da Silva confrontou a direcção da bancada com as palavras do 'vice' de Mendes e afirmou querer saber se o presidente do partido pensa o mesmo "Porque quem não honra o passado, não tem futuro", disse a dada altura. Sem respostas do líder parlamentar, Marques Guedes, acabou por ser Regina Bastos a lembrar as críticas de Marques Mendes à atitude do Presidente da República em dissolver o Parlamento quando estava em campanha eleitoral em Aveiro.


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