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Eu voto Dinis Maria...

 

Ocandidato papá sucede ao guerreiro menino a frase é da reportagem da TVI e definia na perfeição o evento ridículo que foi o lançamento da candidatura de Manuel Maria Carrilho à Câmara de Lisboa. A peça tinha outra preciosidade: passava na íntegra a sequência em que Bárbara Guimarães fala da segurança na cidade e das coisas que podem acontecer quando se sai à rua. A TVI lembrou assim o episódio em que um fotógrafo de uma revista social pagou pela ousadia de fotografar o filho do candidato papá na via pública sem o consentimento deste. Pruridos do passado pouco coerentes com o uso da imagem de uma criança como primeira estrela de uma campanha eleitoral. E, uma vez mais, mostra-se que a confusão entre a vida pública e a vida privada não é um exclusivo do menino guerreiro. Pode dizer-se que Santana Lopes, ainda que pioneiro, é um aprendiz onde Manuel Maria Carrilho é profissional.

Para o caso de alguém ter ficado demasiado surpreendido, convém lembrar que, se Santana compreendeu antes dos outros que a notoriedade real ganhava-se fora da esfera política, no futebol e na imprensa cor-de-rosa, Manuel Maria Carrilho há muito que é estrela de primeira página nas revistas do social, por via de Bárbara Guimarães e de Dinis Maria. Já agora, lembra-se que, no defeso mediático pós-eleitoral do Governo que António Vitorino definiu como a era do "habituem-se", José Sócrates não deixou de marcar presença na imprensa do jet set.

Ignoro qual a eficácia eleitoral do vídeo de Dinis Maria, mas não tenho dúvidas quanto ao efeito em termos de notoriedade. Bastou a imagem passar nos telejornais para não se falar noutra coisa. Se Carrilho tivesse aparecido em cena com a família, o impacte teria sido menor. É o facto de terem aparecido no vídeo que dá uma relevância especial à jogada de marketing.

Olhando a maneira como as várias televisões reagiram, a TVI focou muito mais o vídeo do que a RTP. Sandra Felgueiras insistiu mais no todo da cerimónia, mostrando Sócrates a citar Lipovetsky, pour faire le philosophe. A peça valia por evidenciar a diferença entre o Carrilho candidato, descontraído, sem gravata, um visual negligé cuidadosamente estudado e o Carrilho formal, engravatado, filmado na intimidade doméstica ou do café da rua. A SIC foi a única a não dar a notícia ontem, à hora do almoço. Até lá, a história ficou-se pela SIC Notícias.

Manuel Maria Carrilho tem qualidades políticas e intelectuais óbvias para dispensar estas avarias. Mas não é o primeiro a acreditar mais na omnipotência da estratégia para passar a mensagem do que na mensagem. O último da lista foi um tal menino guerreiro.

O político mais intelectual da praça rendeu-se ao 'kitsch' político-televisivo

Miguel Gaspar

e-mail

miguel.gaspar@dn.pt


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