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por
ângela marques
A realização da primeira chamada dos exames nacionais de Língua Portuguesa e Matemática do 9.º ano e da primeira fase de exames nacionais do 12.º poderá ser afectada por uma greve de professores. Os sindicatos que representam os educadores de infância, professores e trabalhadores não docentes vão responder com uma paralisação de quatro dias - de 20 a 23 de Junho - às medidas governamentais de aumento da idade de re-forma e congelamento na progressão de carreiras docentes.
O protesto avançará, segundo anunciaram ontem dirigentes da Federação Nacional de Professores (Fenprof) e da Federação Nacional dos Sindicatos de Educação (FNE), caso o Governo não responda de forma positiva à carta reivindicativa que hoje será entregue ao primeiro-ministro, José Sócrates.
A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, escusou-se a comentar a ameaça de greve dos professores. "Não comento a actividade dos sindicatos", disse, sublinhando confiança no sucesso dos exames nacionais - que este ano se realizam, pela primeira vez, no 9.º ano de escolaridade.
Para o secretário-geral da FNE, João Dias da Silva, "o Governo está a empurrar os trabalhadores para a greve", apresentando medidas "de índole negativa que se limitam a retirar-lhes direitos". Não é de estranhar, por isso, que "milhares de professores se juntem à manifestação da função pública, no dia 17", diz o secretário-geral da Fenprof, Paulo Su-cena, que critica a "falta de diálogo do Governo". E acrescenta "É intolerável que anuncie alterações sem as ter negociado com os sindicatos."
Na opinião de João Dias da Silva, "os professores estão a ser alvo da fúria obsessiva do Go-verno, incapaz de planificar medidas que possibilitem um crescimento económico sustentado". O "afunilamento do acesso ao topo da carreira e o aumento da idade de reforma" são, segundo o secretário-geral, medidas que "não têm em atenção as especificidades da profissão e representam um retrocesso enorme no caminho que estava ser feito".
A paralisação abrangerá, no dia 20, professores afectos à Direcção Regional de Educação do Centro. No dia 21, a zona de Lisboa, a 22, o Norte, e, a 23, o Alentejo e Algarve. "Isto não é uma greve aos exames. As medidas foram anunciadas agora, a greve acontece agora", esclarece Paulo Sucena.
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