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Os países- -empresas

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Luís delgado  

O "não" holandês é dado como certo, hoje, no referendo sobre o tratado constitucional. É mais um, mas neste caso pouco surpreende. A Holanda, por to-das as razões, é tradicionalmen-te um país do "contra". Se nin-guém quisesse a nova consti-tuição, eles votariam a favor, e vice-versa. Na França, e como o "não" foi um aviso claro e inequívoco a Chirac, a mudan-ça de chefe de Governo não se fez esperar. Belo sistema semi-presidencial, este, em que Chi-rac muda de primeiro-ministro em horas. A dúvida, contudo, é que o tempo escasseia para as eleições de 2007, e a degradação do centro-direita é visível na forma maciça como os france-ses recusaram a constituição europeia. Não tendo outro meio, usaram o que estava à mão. O mesmo já fizeram os alemães, com a derrota histó-rica de Schroeder na Renânia, o que levou à convocação de eleições antecipadas no Outo-no. Ou muito nos enganamos, ou o Governo socialista e Verdes alemão vai à vida.

Alguma destas situações tem a ver com a Europa-instituição?

É óbvio e evidente que os eleitores - mais tarde ou cedo vai acontecer em Portugal - estão fartos de mentiras, de políticos que não dizem o que vão fazer, ou, se dizem, omitem o mais dramático e importante. Isso gera uma revolta interior profunda, que se expressa na primeira oportunidade. Mais os eleitores desejam, com uma vontade crescente, que a gestão do país seja feita de uma forma tecnicamente profissional, verificável e auditável, a qualquer momento, para que se conheça, com rigor e transparência, como vai o país.

Os eleitores, cada vez mais, e com razão, encaram os primeiros-ministros como presidentes de conselhos de administração, que têm de responder aos "accionistas" pelos resultados da "empresa". E, dessa forma, serão louvados ou responsabilizados pelos bons e maus momentos, falta de iniciativa, e esforço exagerado sobre os "patrões", os que entram com o dinheiro para aguentar a empresa. E uma empresa em falência técnica e real obriga a que os accionistas façam suprimentos constantes - neste caso através dos impostos -, o que esgota qualquer bolsa ou paciência. E aí, uma de duas ou fecha a "empresa-país" ou muda a "gerência-governo".


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