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Rafsanjani inicia campanha eleitoral no Irão

por

Kátia Catulo  

Cinco dias após o início oficial da campanha eleitoral, no Irão, os candidatos às presidenciais de 17 de Junho só ontem lançaram as primeiras acções. A apresentação do programa de Akbar Hashemi Rafsanjani, o conservador apontado como o mais provável vencedor do escrutínio do próximo mês, deu ontem início à corrida eleitoral. E, para um conservador, os seus objectivos são bastante liberais. Num documento a que chamou "pacto com o povo", Rafsanjani comprometeu-se a melhorar a liberdade de expressão e aumentar a participação das mulheres na esfera pública.

Mas, no topo das suas prioridades estão o combate ao desemprego, a abertura do país ao investimento estrangeiro e a privatização de uma parte da economia concentrada no Estado. Quanto aos EUA, nem sequer uma referência, apesar de muitos defenderem que a sua vitória poderá dever-se à capacidade de renovar as relações com Washington, interrompidas em 1980.

Rafsanjani, que tenta voltar ao cargo que ocupou entre 1989 e 97, poderá ser o favorito às presidenciais, uma vez que a última sondagem atribuiu-lhe 36,2% das intenções de voto, colocando-o em clara vantagem sobre os seus adversários. Porém, essa percentagem garante-lhe apenas a passagem à segunda volta. E no último round, Mostafa Moin é um dos sete candidatos mais bem colocados para desafiar Rafsanjani. Isto porque este reformista conta com o apoio da Frente de Participação Islâmica, o partido que levou ao poder o actual Presidente, Mohamed Khatami, em duas eleições consecutivas.

Moin esteve, no entanto, perto de ser excluído das presidenciais. O Conselho dos Guardiães (órgão de tutela do regime e que analisa as candidaturas) vetou o seu nome. Centenas de estudantes manifestaram-se na Universidade de Teerão, na passada terça-feira, contra a sua expulsão e o Conselho voltou atrás. O episódio ilustra a popularidade de Moin junto dos jovens que, curiosamente, foram os grandes responsáveis pela eleição de Khatami.

Mesmo que Moin vença as presidenciais, terá uma tarefa difícil pela frente, ao contrário de Rafsanjani que representa a corrente conservadora mais em sintonia com o Guia supremo, o ayatollah Khamenei.

Moin, considerado mais liberal do que Khatami, pode enfrentar os mesmos obstáculos que o actual Presidente em Fevereiro de 2004, o Parlamento passou a estar dominado pelos conservadores, já que oposição boicotou as eleições.


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