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Filipe Santos Costa
eva cabral
O estado das finanças públicas e as medidas do Governo para combater o défice deverão ser o tema da intervenção de fundo do primeiro-ministro no debate mensal com a oposição, na Assembleia da República, na próxima quarta-feira. O governador do Banco de Portugal deverá apresentar os resultados da comissão de avaliação do défice no início da semana, pelo que Sócrates já terá o tão aguardado número quando se apresentar perante os deputados. E estes deverão ser informados em primeira mão sobre o pacote de medidas destinadas a reduzir o desequilíbrio das contas públicas.
responsabilidades. Ontem, Guilherme d' Oliveira Martins acusou a anterior maioria de "fazer de conta de que nada tem a ver com nada, lançando-se a ideia de que cabe só aos outros fazer com urgência aquilo que não foi feito por quem o deveria ter feito". O ex-ministro socialista das Finanças acusou o líder do PSD de "pedir um orçamento rectificativo como se não tivesse votado o que está em vigor". O deputado lembrou que "a trajectória da despesa corrente primária não se inverteu entre 2002 e 2005" e que "os défices orçamentais, sem receitas extraordinárias (...) não foram reduzidos".
Oliveira Martins qualificou as receitas extraordinárias de "drogas perigosas e letais", uma vez que "geraram habituação e se transformaram em panaceia, em vez de serem um meio excepcional" pelo que "agravaram a doença, pois permitiram cultivar a pura ilusão, levando erradamente a pensar que a crise orçamental estava ultrapassada".
Foi Miguel Frasquilho, vice-presidente da bancada do PSD, quem reagiu ao discurso, sendo certo que o ex- secretário de Estado de Ferreira Leite abandonou o executivo em rota de colisão por não estar a ser aplicado o choque fiscal que advogava.
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