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por
pedro Mexia
pedromexia@hotmail.com
O Públicoonline passou ao regime de acesso pago. E o New York Times agora cobra pela consulta aos seus colunistas na edição electrónica. Eu visitava quase diariamente o POL e lia com regularidade as colunas do NYT. Mas não vou pagar esses serviços, porque não me convenço da necessidade de pagar pela leitura de jornais online. Percebo a lógica da mudança, mas creio que a minha lógica de utilizador também é evidente. Nenhum jornal é insubstituível. E como há muitos jornais online de graça, não vou obviamente pagar pelo que tenho disponível sem custos.
No caso do Público a situação é especial, porque eu comprava e continuo a comprar a edição em papel. Mas, muitas vezes, lia ou relia ou imprimia certos textos da edição online. O que acontece agora é que sempre que não compro o Público não o leio de todo. Ou tudo ou nada. No caso do New York Times (que nem chega cá, excepto na versão Herald Tribune), não há remédio. Acabou-se o David Brooks e as minhas irritações de estimação, Maureen Dowd e Paul Krugman. Vantagem para o Guardian, que representa com vantagem a opinião de esquerda anglófona, é mais afirmativo nas suas posições, mais bem escrito e o site é inteiramente gratuito (incluindo os belos arquivos). Quem tem alternativa não tem razão de queixa.
O que perdem os jornais de referência com o fim da gratuitidade? Perdem em acessos o que ganham em dinheiro. E perdem, como tem sido dito, um universo importante que é o universo dos blogues. Nove décimos dos blogues portugueses (há cerca de 40 mil) citavam e lincavam sobretudo o Público. Agora, pelo que se vê, quem ganha é o DN e sobretudo o DiárioDigital. Acontece que o Público tem os colunistas mais influentes, e os textos desses colunistas deixaram de ser directamente discutidos pelos bloguistas, excepto se estes se derem ao trabalho de transcrever. Esse impacto mais directo está agora reduzido a quem compra o jornal em papel e aos assinantes (não serão ainda muitos). O mesmo se passa na América, com a diferença de que na América há uma vintena de jornais de referência.
Menosprezar o mundo dos blogues é, como se sabe, um erro comum. O acesso pago aos jornais é provavelmente outro.
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