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Governo expropria Bombardier

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leonor matias  

A Bombardier não respondeu dentro do prazo estabelecido pelo Governo (dia 16 de Maio) e as negociações com a CP, que previa a reactivação da unidade da Amadora, falharam. Ana Paula Vitorino anunciou, ontem, que face à ausência de respostas, o Governo vai avançar imediatamente com a expropriação dos terrenos que a CP determinou necessários para a operação ferroviária. A Bombardier foi informada da decisão pela comunicação social, e afirmou ter ficado "totalmente surpreendida".

Fonte da Bombardier disse ao DN que enviou na segunda-feira, por volta das 13 00 horas uma carta dirigida a António Ramalho, presidente da CP, a solicitar "o adiamento do prazo". A multinacional não fecha portas a um entendimento e afirma "estar disponível para continuar as negociações". A CP nega o envio da carta. António Ramalho disse em conferência de imprensa no Ministério dos Transportes que até às 11 30 de ontem, hora em que saiu do seu gabinete, não tinha recebido nenhuma proposta da Bombardier. Questionado sobre o que tinha falhado, a mesma fonte da multinacional apenas disse "faltou a assinatura do dono da Bombardier".

Face à ausência de respostas, Ana Paula Vitorino vai notificar a Refer para avançar com o processo de expropriação que prevê possa demorar "cerca de dois meses". Sobre o valor, a secretária de Estado avança com o montante que estava fixado nas negociações, cerca de quatro milhões de euros para os terrenos e instalações. O equipamento foi avaliado em dois milhões de euros.

Sobre este assunto, a mesma fonte da Bombardier diz que o processo não é simples e poderá demorar cerca de cinco anos. Quanto ao valor, a multinacional realça que será aplicado o preço de mercado pelos 40% da fracção que a CP pretendia e que está "avaliada em 20 milhões de euros". A questão da fixação de um prazo para a conclusão do negócio foi sugerido em 23 de Abril pelo presidente da Bombardier Transportation num encontro com Ana Paula Vitorino. Nessa altura, recordou a secretária de Estado, "disse-me que bastavam três semanas para fechar o acordo".

A partir de agora as conversas entre a CP e a Bombardier são as previstas no Código das Expropriações. Durante cerca de 20 dias serão desenvolvidas negociações na tentativa de fazer a transmissão pela via do direito privado. Este desfecho não era de todo previsível. No dia 20 de Abril , a Bombardier em carta dirigida a António Ramalho dizia "crer que em conjunto com a CP conseguiria encontrar a melhor solução, não só sem relação às instalações da Amadora, como ao desenvolvimento de futuras parcerias que contribuam para o sucesso da actividade ferroviária em Portugal". Dois dias depois , véspera de findar o primeiro prazo, o presidente da CP exigiu uma resposta ao administrador- -delegado da Bombardier em Portugal, Felipe Morais de Almeida, que enviou um e-mail dizendo que "na sequência dos encontros entre a C P e a Bombardier, todos os princípios que permitiriam atingir um acordo foram conseguidos". Entre os pontos foi acordada a base para a divisão das instalações e o respectivo preço - seis milhões de euros. Fonte próxima do processo disse que não houve interesse da Bombardier de se tornar num "parceiro estratégico da CP. E as relações entre ambas as partes não são as melhores neste momento".


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