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por
Raul VAZ
L eve, levemente, os guardiões da moral pública vão ficando em casa. O que seria, há alguns meses - não mais de dois -, se o caso que envolve dirigentes do CDS num processo de tráfico de influências fosse conhecido? Levantava-se, de imediato, o Bloco de Esquerda, pela voz impoluta do seu dirigente máximo, Francisco Louçã.
O segredo de justiça ou a presunção de inocência de quem é acusado nunca impediu o Bloco de veicular a sua propaganda radical contra a direita dos interesses e o grande capital.
Agora, não se vê nem se ouve a voz da moralidade.
E não passou tanto tempo assim do tempo em que o líder do Bloco na Assembleia da República insinuou, no caso da Galp, ligações perigosas entre Frank Carlucci e Durão Barroso?
Sejamos generosos e admitamos, por hipótese, que o negócio entre a Galp e a Carlyle só não avançou graças à coragem do grande regulador do capitalismo selvagem, Francisco Louçã.
Mas, e agora? Quando um partido de direita é varrido por acusações de extrema gravidade, onde está o Bloco de Esquerda? Terá trocado a pose truculenta e anti- -sistema por um prudente silêncio? Será que avisadamente vai esperar que a Justiça siga o seu curso? Será que se interroga sobre o facto de só agora um ex-governante ser envolvido num processo de tráfico de influências?
A verdade é que a esquerda caviar, que dá corpo ao Bloco, já não se indigna publicamente com a suposta promiscuidade entre os poderes político e económico.
Por um lado, é bom sinal. Um caso como este deve ser avaliado com prudência - não se conhecem os contornos de um processo que, independentemente da sua fundamentação, mancha a reputação daqueles que nele estão envolvidos.
Por outro, é um sinal contraditório. Não é normal o silêncio do Bloco. Será que começou a ter medo? Isto é, receio de contrariar o sistema instalado, agora que já tem dimensão de partido político, já convive com a adversidade interna, já tem líder e órgãos institucionais eleitos.
Vinte e quatro horas depois de conhecido o "caso Portucale" o Bloco mantém-se em silêncio. Entraram na maioridade política.
Editorial
Quando um partido de direita é varrido por acusações de extrema gravidade, onde está o Bloco de Esquerda? Terá trocado a pose truculenta e anti- -sistema por um prudente silêncio? Será que avisadamente vai esperar que a Justiça siga o seu curso?
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