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Ccarlos
blanco
de morais
om a sua convenção finda a 8 de Maio, o Bloco de Esquerda concluiu o seu ciclo de extrema-esquerda carrefour e procurou converter-se em partido de poder.
A atestá-lo, não faltaram, nem a coroação de Louçã como "coordenador"da Comissão Política (uma espécie de secretário-geral em pudica filmagem soft core), nem a "exclusão", como paradoxal punição estalinista num partido que protesta o seu carácter "inclusivo".
Esta mutação transgenérica do Bloco, de partido de protesto em partido de "alternativa socialista", era inevitável desde que Portugal passou a ser, para sua desgraça, o único país europeu ocidental onde uma coligação de trotskistas, estalinistas e libertários de esquerda logrou passar de 2,7% para 6,3 % de votos.
O Bloco sente ao longe o "perfume do poder" e prepara-se para ele, mesmo quando não abdica do seu folclore indígena de jamais "vestir a gravata".
Ao optar estrategicamente pela "criação de emprego" e pelo "esvaziamento do centro" a sua convenção elegeu o Partido Socialista como principal concorrente em 2009. Se o PS perder votos à esquerda como efeito do desgaste da realpolitik económica, o grande beneficiário será, sobretudo, um Bloco em expansão e não tanto um PCP em luta pela sobrevivência.
Mas, ao admitir tacticamente nas autárquicas, tanto coligações cirúrgicas com o PS e o PCP em casos como o do Funchal, como candidaturas emblemáticas e próprias como em Lisboa, onde apoia um demagogo que ameaça a vitória de Carrilho, o Bloco inicia uma relação "amargo-doce" com o PS que um dia lhe será útil.
A estratégia do Bloco é, pois, fazer crescer a sua votação entre os 6,3% e os 9%, à custa do PS e subsidiariamente do PCP, na mira de uma futura coligação com um Partido Socialista privado de maioria absoluta.
Criatura 'versus' criadores. O Bloco de Esquerda é o "mostrengo" de estimação do sistema partidário, tendo tido como criadores semipassivos as grandes formações partidárias e a comunicação social de massas.
Nos partidos, a extrema-esquerda bon chic bon genre sempre foi mimada pela cumplicidade legitimadora do PS que a utilizou para debilitar o PCP. Não deixou, também, de beneficiar da política cultural e comunicacional atávica dos Governos PSD/CDS que se converteram em troféu da sua "propaganda negra".
Nos media, em nome da santidade do "pluralismo", as redacções encontram-se há muito permeáveis a uma tolerada e planeada invasão de bloquistas que aí assentaram arraiais a uma escala infinitamente superior à da sua representação eleitoral.
Se tal se passasse com a extema-direita, todo o sistema tocaria a rebate contra uma conspiração antidemocrática.
Mas, tal como no drama de Macbeth, um dia o "bosque aproximar-se-á do Castelo" e a "inevitabilidade" de Louçã integrar um Governo socialista será preparada pela própria comunicação social na "lógica" de que o Bloco renunciará ao extremismo em face das responsabilidades do poder.
Esquecer-se-á, então, que o Bloco odeia a NATO; que não desiste de pulverizar a família com a banalização do aborto e a legalização do casamento gay; que pretende implodir a coesão nacional atribuindo a nacionalidade na base do jus solis a massas de estrangeiros falando guturalmente português; que aposta na falência da comunicação social privada, impondo uma lei anticoncentração que colocaria os media nas mãos dos espanhóis; e que procura tornar uma das legislações laborais mais rígidas da Europa na "extrema-unção" do capitalismo nacional e do investimento estrangeiro, com a revogação do Código do Trabalho.
Confesso que esta tentação da "inevitabilidade" das coisas e o delírio da experimentação do abismo me arrepiam.
Com as devidas diferenças, desde há vários anos que muitos dirigentes do PSD balbuciavam resignados que seria "inevitável" que o partido tivesse que experimentar, um dia, uma liderança de Santana Lopes. Graças a eles, o PSD e o País passaram por essa inesquecível experiência.
Há, infelizmente, lições que nunca se aprendem.
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