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'A Bola' inicia 'cruzada' sobre a informação desportiva

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Sónia Correia dos santosNa semana do derby lisboeta Benfica-Sporting, o jornal desportivo A Bola anunciou o seu contributo para a "regeneração" do futebol português, não alimentando as polémicas que antecedem o clássico.  

O editoral de segunda-feira refere que o título pretende ajudar à pacificação do desporto-rei em Portugal, não publicando quaisquer afirmações que apelem à violência, ao desrespeito dos valores éticos, ou "dúvidas sobre a integridade moral e cívica de qualquer (...) protagonista nos jogos ".

O director da publicação, Vítor Serpa, referiu ao DN que, numa semana em que o título da SuperLiga está a ser disputado por quatro equipas (Benfica, Sportig, FC Porto e Braga), "A Bola achou que devia tomar uma posição, pois tem a obrigação de não ser um jornal passivo". E assume esta atitude como "uma pedrada no charco" contra a manipulação que os diários desportivos têm sofrido.

"Os jornais têm sido reféns dos clubes", mas isso não quer dizer que "vale tudo", afirmou o responsável pel'A Bola.

A iniciativa, que arrancou esta semana, não garante que a partir de agora vá ser sempre assim. "Não queremos fazer um jornal angelical", observou Vítor Serpa. No entanto, quer que prossiga e que crie "impacto junto dos leitores". O responsável tem consciência de que esta atitude poderá "ganhar em credibilidade e perder comercialmente", mas é um risco que está disposto a correr.

O director do diário desportivo garantiu ao DN que não foi possível concertar posições com os concorrentes Record e O Jogo, porque as diferenças editoriais entre os três jornais "estão bem marcadas", mas apesar disso assegurou que seria interessante que no futuro " agissem no mesmo sentido".

O sociólogo do desporto António Sousa Santos, docente da Universidade Lusófona, revelou ao DN que tem dúvidas sobre as boas intenções desta atitude, porque "os jornais desportivos é que alimentam as guerrilhas do futebol e as difundem".

Para o investigador, este tipo de notícias vai aguçar a curiosidade dos leitores, o que faz desta decisão editorial uma simples "operação de marketing". "Pode ter um efeito de choque, mas que é absorvido de imediato", resumiu.

"O jornal A Bola está com problemas de consciência e com esta decisão não vai apagar nenhum fogo", acusou o sociólogo, garantindo, mesmo assim, que não vai perder leitores porque tem um "público fidelizado ".


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