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Enviada A londres
patrícia viegas
As assembleias de voto para as legislativas começaram ontem a ser assinaladas com cartazes nas ruas da capital do Reino Unido. Quase 47 milhões de eleitores britânicos depositam hoje o seu boletim de voto nas urnas para escolher os seus novos representantes na Câmara dos Comuns.
O Labour, de Tony Blair, parte como favorito (uma sondagem de The Guardian dá-lhe 38% das intenções de voto). Mas a abstenção (dos que acham a campanha eleitoral aborrecida) ou os votos de protesto (dos desiludidos com o envolvimento da intervenção britânica na guerra do Iraque) preocupam os trabalhistas e podem comprometer a sua maioria ou mesmo a vitória.
Os últimos números revelavam que, pelo menos, um terço dos eleitores continuava indeciso.
As eleições no Reino Unido jogam-se à volta dos três grandes partidos - trabalhistas, conservadores, de Michael Howard, e liberais-democratas, de Charles Kennedy) - mas na corrida estão outras formações regionais que, em 2001, conseguiram alcançar representação parlamentar é o caso do Partido Unionista do Ulster, do Sinn Fein, do Partido Social Democrata e Trabalhista e do Partido Unionista Democrático, pela Irlanda do Norte; do Partido Nacionalista Escocês, pela Escócia; e do Plaid Cymru, pelo País de Gales.
temas. Ao longo da campanha os Trabalhistas jogaram a carta da economia (tendo também de dar explicações sobre o Iraque), os conservadores jogaram a da imigração (juntamente com a dos ataques pessoais a Tony Blair), os liberais--democratas, a da guerra no Iraque. Estes foram, além de questões como a educação, saúde, segurança e criminalidade, os temas que cada um dos três grandes partidos tentou explorar ao longo das últimas semanas.
Os trabalhistas prometeram uma economia forte. O crescimento britânico situou-se em 3,1%, em 2004, um nível superior à França ou Alemanha, a inflação foi de 1,3%, o desemprego de 4,8% e o défice público de 3,1%. E, por isso, a economia, pasta até agora administrada por Gordon Brown (apontado como eventual sucessor de Tony Blair), foi usada como a principal bandeira de campanha do New Labour para (as)segurar o voto dos eleitores.
No que diz respeito à imigração, bem como à luta contra o terrorismo, os conservadores defendem quotas anuais para a entrada de imigrantes. O Labour, que reconhece a importância dos imigrantes para a economia, apoia um sistema de pontos como o australiano (ver gráfico).
Blair mantém que a decisão de invadir o Iraque foi a mais correcta, mesmo sem existirem armas de destruição maciça, defendendo ainda o Anti-Terror Act, que permite a detenção dos suspeitos nas suas casas. Os lib-dem, por seu lado, defendem que sejam estabelecidas quotas apenas para imigrantes não provenientes de países da União Europeia.
É em relação ao Iraque que os liberais mais divergem dos seus rivais. Este foi o único grande partido a opor-se à guerra e Kennedy foi uma das pessoas que mais pressionou o Governo a publicar o relatório Goldsmith,onde se questionava a legalidade de uma intervenção militar sem uma resolução da ONU. Kennedy chegou mesmo a alertar Blair que as eleições poderaim transformar-se num referendo sobre o Iraque, caso o documento não fosse publicado. Acabou por sê-lo há uma semana. Mas, mesmo depois desta revelação e da divulgação de outro relatório que sugeria um compromisso de Blair com Bush em relação ao Iraque, logo em 2002, o Labour permanece como favorito para a vitória. As sondagens mostram que o Iraque não é um tema prioritário para os britânicos.
europa. A nível de política externa, Blair prometeu um referendo sobre a Constituição Europeia em 2006, dependente do resultado francês a 29 de Maio, Howard afirmou-se contra o documento e ainda contra adopção do euro. Os liberais-democratas, contrariamente, apoiam o tratado da União Europeia e defendem que o país deve trabalhar no sentido de integrar a zona euro.
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