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Irão os homossexuais casar-se?

 

Pablo Pantin e Emilio Jarrin são homossexuais assumidos. Publicamente assumidos. De copo na mão, e um ar levemente descontraído, Pablo e Emilio formam um dos muitos casais que aproveitam o fim da tarde madrilena para ir até ao bairro de Chueca, uma espécie de versão madrilena do Bairro Alto lisboeta, onde os bares alternam com restaurantes, lojas de roupa e de design e comércio tradicional.

Pablo é jornalista em Ferrol, na Galiza, e Emilio, que já viveu em Lisboa, trabalha como arquitecto, em Madrid. Apesar da distância que os separa, mantêm uma relação estável há quase uma década, o que parece ser uma eternidade para quem anda na casa dos 30 e poucos anos.

Numa conversa muitas vezes interrompida pelos amigos e amigas que vão chegando, numa bodega que parece ser apenas frequentada por grupos de gays e lésbicas, Pablo e Emilio não escondem, claro, a satisfação pela legalização dos casamentos homossexuais.

"É uma questão de direito", sublinha Pablo, enquanto Emilio se afasta para saudar mais uns amigos. "Já não os via há uns tempos", desculpa-se. Pouco depois é a vez de Emilio ir cumprimentá-los, e Pablo regressa, assumindo-se um pouco como uma espécie de anfitrião da casa, num momento em que à nossa volta já há quem não consiga esconder as suas afeições. Sem que ninguém se sinta especialmente incomodado.

Durante uns minutos, discutimos o impacto da lei e a reacção da sociedade espanhola. Pablo e Emilio parecem ter pontos de vista divergentes sobre a matéria. Tudo por causa da expressão "matrimónio", que segundo Pablo deriva de um conceito com uma tremenda carga religiosa. "Se lhe chamassem outra coisa já ninguém se importaria." Horas antes, o mesmo tema tinha preenchido já grande parte das reacções de duas heterossexuais madrilenas Pilar Arribas e Laura Berdejo, uma mãe e uma filha, com perspectivas muito diferentes sobre esta matéria.

Dando razão a Pablo, Pilar pouco se importa com os casamentos homossexuais. Com uma única excepção que lhes chamem "matrimónios", um termo que Laura ajuda a descodificar. "O matrimónio representa para nós, espanhóis, e em especial para uma certa geração, uma espécie de sacramento religioso. Daí que isso choque algumas pessoas."

Pouco importa. Casamento ou matrimónio, o facto é que estas relações passarão a ser legais.

Mais complicado, bem mais complicado, é saber o que farão Pablo e Emilio. Irão casar-se?

Aproveitando a ausência momentânea de Pablo, Emilio responde, matreiro "Se me pedirem..." Quando a situação se inverte, é a vez de Pablo: "Não sei. Para mim, o casamento não me diz nada. Não preciso de papéis para ser feliz."


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