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por
joão pedro oliveira
Uma viagem por um século de história da arte que é também uma expedição de reconhecimento da forma como evoluiu a nossa forma de viver e habitar o espaço. Numa frase, pode ser este o mote para a exposição Construir, Desconstruir, Habitar, que o Centro Cultural de Belém (CCB) montou a partir da Colecção Berardo que desde 1997 se encontra à sua guarda. "Temporária, mas de grande duração", como a define o director do Centro de Exposições, Delfim Sardo, esta nova proposta de olhar sobre o acervo do 60.º maior coleccionador do mundo inaugura-se hoje, abre portas ao público amanhã e apenas será desmontada no final de 2005.
Contas feitas, são 75 peças, entre esculturas, pinturas e instalações que "oferecem uma narrativa sobre a forma como o espaço da habitação foi evoluindo e se assumiu como tema fundamental da arte do século XX" explica Delfim Sardo. "Mostra como a bidimensionaliadade se foi tornando insuficiente e a arte se foi deslocando para uma nova dimensão, ocupando o espaço da galeria, o espaço que habitamos". E assim vamos evoluindo pelos oito mil metros quadrados do centro da pintura à colagem, daí à escultura e às instalações, numa montagem em que o próprio Joe Berardo confessa ter "descoberto novos ângulos" para peças que conhece de cor. Uma instalação de James Turrel em diálogo com uma escultura de Sol Lewitt, fotocolagens de Gustav Klucis a falar para peças de Malevitch. E depois Marcel Duchamp, Vito Acconci, Lucio Fontana, Mario Mertz e muitos outros, dispostos num "arco temporal que se estende por um século, desde uma peça de Amadeo de Souza Cardoso de 1914 até produções de 1996".
"Um orgulho", sorri Joe Berardo, enquanto aproveita para retomar o apelo para que "o poder político e a administração [do CCB] encontrem solução para o problema". A saber a necessidade de construir um museu de raiz para a sua colecção no complexo de Belém.
armazém de luxo. A história é já antiga e arrasta-se sem fim à vista. Berardo continua à espera de uma "solução de responsabilidade partilhada" com o Estado para encontrar uma casa permanente para a sua arte. Porque exceptuando o Sintra Museu de Arte Moderna (SMAM) - espaço reduzido e sem grandes condições de conservação - e das mostras temporárias, o acervo permanece no armazém do CCB.
Em Outubro de 2003, no momento de inaugurar a anterior exposição temporária, o comendador falou em "duas propostas tentadoras" chegadas de instituições estrangeiras uma do Sul de França e outra de Miami que até lhe oferecia um museu novo. Mas não mais houve notícia dessas propostas. Entretanto, Berardo insiste que não quer que a colecção saia do País e diz-se esperançado numa solução interna. "Sobretudo agora, com um Governo aparentemente mais sensível." Mas continua a falar na "outra hipótese", ou seja, o Pavilhão de Portugal no Parque das Nações. Aí, porém, são também conhecidas as insuficiências de uma estrutura que não foi pensada para museu - não dispõe de espaço para reserva, por exemplo - e o próprio Berardo reafirmou ontem que a sua preferência é "claramente o CCB". A solução passaria pela construção de um novo edifício em Belém. Só que esse, se chegar a ser construído, será, ao que tudo indica, reservado para um centro de documentação.
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