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A emblemática Casa da Música, no Porto, é hostil aos deficientes. David Peres, um jovem que se desloca em cadeira de rodas devido a um acidente rodoviário que o deixou tetraplégico, visitou o edifício de Rem Koolhas e não gostou do que viu. O choque aconteceu logo na entrada principal do edifício uma enorme escadaria com uma inclinação equivalente. É verdade, reconhece, que há uma entrada secundária perfeitamente acessível a todos. Mas, lamenta, "é uma entrada secundária que contraria qualquer visão inclusiva do espaço". No entender de David Peres, os problemas do edifício, recentemente inaugurado, não dizem respeito apenas aos deficientes. Há superfícies que "são autênticas arestas", logo constituem um perigo também para as crianças. Os materiais utilizados no pavimento não são, por outro lado, os mais adequados. "Demasiado escorregadios", diz o nosso interlocutor, e as respectivas rampas de acesso não respeitam a inclinação prevista na lei, ou seja, seis por cento.
Sem colocar em causa a beleza arquitectónica do imóvel, David Peres questiona a funcionalidade e aponta "a falta de sensibilidade" do arquitecto holandês. Classifica o edifício, feito por vários desníveis, como "labiríntico". Por isso sugere, numa carta a enviar para a administração da Casa da Música, a colocação de sinaléctica adequada. Os pormenores a merecer o reparo de quem tem dificuldades em movimentar-se não acabam aqui. Há os elevadores sem as medidas legais, o parque de estacionamento com os lugares para deficientes mal sinalizados, a ausência de corrimões e a inclinação das escadas no interior, que torna o edifício perigoso para os deficientes e para os outros.
Os problemas não se circunscrevem, naturalmente, à Casa da Música. Tomar uma bebida no Parque da Cidade é uma aventura para uma simples cadeira de bebé. Também nos passeios do Nó de Francos, inaugurados durante o Euro 2004, a inclinação das rampas é tão elevada que, quando David Peres tentou descer na sua cadeira de rodas, caíu.
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