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Cavaco com "dúvidas" sobre corrida a Belém

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helder robalo  

Cavaco Silva diz ter "algumas dúvidas" e que "se não as tivesse, já tinha respondido" sobre uma eventual candidatura presidencial.

Com poucas palavras, Cavaco Silva quebrou, assim, o silêncio em relação à sua eventual entrada na corrida a Belém, assunto que tinha adiado para o Verão. E, apesar das dúvidas que deixou, todo o discurso que fez, ontem, na Faculdade de Economia do Porto, na conferência "Portugal A caminho da convergência?", assenta como uma luva no papel de um Chefe de Estado. Não obstante ter recordado que esta tem sido a tónica dos seus discursos, "pelo menos desde 1999".

Na palestra, e sempre num tom suprapartidário, o antigo primeiro-ministro defendeu que esta é a altura certa para o Governo de José Sócrates avançar com "medidas que não podem mais ser adiadas", até porque a própria opinião pública mostra receptividade e, segundo disse, "existem indicadores que apontam para o fim do ciclo de crescimento económico negativo". Em reforço da tese de ser este o momento para as tarefas difíceis, sublinhou que "ninguém pode dizer que os sindicatos estão a criar obstáculos à modernização das empresas".

Num tom sempre muito conciliador com o exercício do Governo socialista, Cavaco Silva apontou como reformas imprescindíveis o combate ao desordenamento do território, a reforma da administração pública e do sistema judicial, o aumento da concorrência e a educação . Embora a sua experiência política lhe indique que as mesmas são impopulares. "Estas reformas, no curto prazo, podem aumentar o desemprego, mas são inadiáveis", insistiu.

Cavaco Silva criticou, ainda, o discurso "antiglobalização, contra os países do Leste e asiáticos", e defendeu que o mesmo "não vai produzir resultados porque a globalização está aí para ficar". Para contornar as dificuldades que se avizinham, o professor exorta as empresas a apostarem na especialização, para introduzir "maior qualidade, valor acrescentado e conteúdo tecnológico" na produção. Embora reconheça que "não é de um momento para o outro que se muda de uma indústria de têxteis ou calçado para uma de software".

Outra das soluções diz respeito ao reforço do peso do sector da exportação de bens e serviços na economia. "Em 1990 este sector representava 33% do PIB nacional, 5% acima da média europeia, enquanto em 2004 correspondia a 31% do PIB, menos 4% que a média europeia", explicou o professor.

Apesar de reconhecer que "as empresas têm grande parte da responsabilidade neste campo", Cavaco Silva defendeu que cabe ao Estado "criar condições para que tal suceda". Por isso, o antigo pri- meiro-ministro diz que se deve "evitar a dispersão de esforços dos organismos públicos por muitos mercados, concentrando-se antes em meia dúzia, como os EUA, Brasil ou Espanha".

Cavaco defende mesmo que o Estado deve "empurrar" as médias empresas para exportar para o mercado espanhol, pois "este está mais receptivo às exportações portuguesas, onde temos grandes vantagens face aos países do Leste e da Ásia", em evidente acordo com o que José Sócrates defendeu na sua recente visita a Madrid.

guterres. À margem da conferência, Cavaco congratulou-se com a candidatura de António Guterres a alto-comissário da ONU para os Refugiados. E sobre a eleição de Marques Mendes para líder do PSD, o professor diz já o ter felicitado. "Portugal precisa de um PSD forte e credível, que possa ajudar no retorno do País à aproximação do desenvolvimento da UE", referiu.


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