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artes

Três tristes 'indies'

por

pedro Mexia

pedromexia@hotmail.com  

Nesta segunda edição do consolidado IndieLisboa não tenho sido tão assíduo como no primeiro ano. O ideal nestes festivais é assistir a uma maratona de celulóide, nem que seja preciso transferir por uma semana o endereço postal. Não tenho conseguido isso mas, ainda assim, passei algumas vezes pelo King e pelo Fórum Lisboa.

Comecei com uma decepção, The Girl From Monday, de Hal Hartley. Decepção reincidente e previsível, pelo menos desde Amateur. As três primeiras obras de Hartley são pepitas de realismo irónico, ao mesmo tempo emotivo e brechtiano. Mas agora bateu quase no fundo, com uma parábola orwelliana sobre o nosso futuro como "consumidores", que tem méritos formais mas que se afoga em patacoadas anticapitalistas.

Plataforma, exibido no contexto da homenagem a Jia Zhangke, coqueluche do novo cinema chinês, é outro mundo. Como tinha perdido a exibição comercial do filme, colmatei agora a lacuna. Uma boa opção, porque se trata de uma narrativa seca, subtil e admirável sobre as transformações da sociedade chinesa nos anos Deng. Através da errância geográfica e afectiva de um grupo musical, Zhangke acumula os indícios de uma espécie de opressão pelo aborrecimento, acompanhando também alguns aspectos quase caricaturais da tímida abertura ao Ocidente (ouvir uma canção dos Modern Talking em chinês é um grande momento).

Uma simpática surpresa foi Sábado, de Juan Villegas, enquadrado na retrospectiva do novo cinema argentino. É, mais uma vez, um exercício minimalista sobre o aborrecimento, mas desta vez em Buenos Aires, num sábado estival. Os três casais que povoam Sábado vão sendo desfeitos e recompostos, numa deriva rohmeriana que inclui os diálogos mais ágeis que ouvi desde Roger Dodger, com variações em staccato sobre o amuo, o equívoco, a conversa mole. É uma obra de ambições modestas, mas plenamente conseguida em termos de construção. E muitíssimo divertida.

E houve ainda um episódio memorável um filme coreano obscuro que se transformou de repente em filme coreano impenetrável, até descobrirmos que uma bobine tinha sido trocada. E nós a pensarmos que o cineasta era um génio do hermetismo.


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