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fernando de sousa
delegado em Bruxelas
O chanceler alemão, Gerhard Schroeder, saiu em auxílio do Presidente francês, Jacques Chirac, e foi a Paris defender o "sim" à Constituição Europeia.
Segundo o dirigente alemão, "se a Europa quer fazer-se ouvir internacionalmente, precisamos da Constituição Europeia". Chirac advertiu que, se a França votar contra o novo tratado, "fica a ver passar os comboios".
Estas posições públicas reflectem um profundo receio de que o público francês venha a votar contra a Constituição Europeia, no referendo marcado para 29 de Maio. Mais de duas dezenas de sondagens de opinião pública já apontaram para que o "não" à Constituição saia vencedor, com margens entre 52 e 58%.
Gerhard Schroeder esteve em Paris para a realização de um conselho de ministros conjunto franco-alemão, numa forma de reafirmar a vitalidade do eixo europeu de decisão formado pelos dois países e tentar recolocar os valores da construção europeia no centro do actual debate para o referendo.
Numa conferência de imprensa conjunta, Chirac considerou que a Constituição "permitirá à França ser mais forte na Europa e reforçará a posição da Europa no mundo". Pela sua parte, Gerhard Schroeder quis conferir uma perspectiva histórica ao debate, indicando que "o que está em jogo é a ideia de uma Europa unida como resposta aos horrores do fascismo". O reforço da França no mundo já tinha sido invocado por Chirac, num debate recente na televisão francesa, embora sem grande sucesso.
Muitos elementos do debate mostram-se independentes do próprio conceito da Constituição Europeia, destinada a simplificar os métodos de decisão numa UE alargada. A perspectiva da entrada da Turquia na UE ou a eventual introdução de uma directiva para a liberalização do sector dos serviços no mercado europeu - directiva Bolkestein, designação retirada do nome do antigo comissário que a propôs - têm ocupado um lugar de destaque nas preocupações. Para afastar alguma pressão, Jacques Chirac indicou agora que essa directiva "já não existe", embora na Comissão Europeia, em Bruxelas, apenas se refira que ela vai ser revista.
holanda. Uma eventual rejeição da Constituição em França impede a sua entrada em vigor, por necessitar de apoio unânime dos 25 Estados membros da UE, embora deixando em aberto a possibilidade de encontrar outras formas de introdução, por exemplo parcial, se uma grande maioria de países a aprovar. Por esse motivo, procura-se evitar o contágio negativo da França para outros Estados membros. Porém, na Holanda, que vai referendar a Constituição a 1 de Junho, já há, pelo menos, três sondagens a indicarem a vitória do "não" à Constituição Europeia.
Uma nova sondagem, na Holanda, do Instituto IPP, com 7500 inquiridos, aponta para uma vitória do "não" por 58,2%. Duas sondagens anteriores, pela Maurice de Hond e pela estação de televisão RTL, também apontam para a vitória do "não", embora por margens mais reduzidas.
Estas duas sondagens prevêem um nível de afluência de 32%. Como o referendo holandês não é vinculativo, alguns partidos políticos, com assento parlamentar, têm indicado que apenas terão o resultado em consideração para a sua decisão final sobre a Constituição se a afluência for superior a 30%.
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