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m. s.
Capitães de Abril nas galerias. Deputados constituintes. O cardeal Policarpo. Os ex-presidentes Mário Soares e Ramalho Eanes. Figuras do Estado como Souto Moura, Nascimento Rodrigues ou Vítor Constâncio. Sócrates e o seu Governo também lá estavam. A sala das sessões cheia. Cheia? Bem, quase. Isto porque a bancada do PSD nunca teve mais de metade dos lugares preenchidos. Pelo CDS (no dia a seguir ao final do congresso) via-se Ribeiro e Castro nas galerias, mas só metade do grupo apareceu para a cerimónia.
Da esquerda à direita, os partidos proferiram as habituais intervenções de Abril. Pelo maior partido, o PS, falou Alberto Martins, que fazia 60 anos ontem. Além das alusões ao dia, tratou de matérias de actualidade política. "Passados 31 anos, devemos reconhecer que há um problema de renovação no sistema democrático português", afirmou, destacando a recente iniciativa do Governo que visa a limitação de mandatos no exercício de cargos políticos. No entanto, "de nada valerão as reformas legislativas do sistema democrático se não mudarem as atitudes e os comportamentos dos agentes políticos". "Não aceitaremos que o necessário exercício participativo e de debate, e a procura de consensos nacionais onde são exigíveis, se confundam com tacticismos que apenas visam marcar uns pontos no 'sobe e desce' da análise político-mediática".
Ex-líder parlamentar do PSD e actual vice-presidente da AR, Guilherme Silva falou na necessidade de pactos de regime em áreas como a justiça, reforma do Estado e finanças públicas. Mas não deixou de atacar o novo Governo, socialista "O que se sente neste início de legislatura é que, mais uma vez, se optou pela agenda mediática. Fica--se à superfície das coisas e finge-se que se governa. É uma vez mais o faz de conta."
O PCP, tal como Sampaio, não esqueceu o Tratado Europeu no seu discurso, proferido pelo secretário-geral, Jerónimo de Sousa (antigo deputado constituinte). Mas, ao contrário do Presidente, incluiu o documento na lista de matérias que "vão ao arrepio de Abril".
Mais à direita, o CDS escolheu o recém-chegado José Paulo Carvalho fez uma intervenção de marca geracional. "Felizmente, pertenço a uma geração que não tem fantasmas - nós não precisamos de apregoar a liberdade vivemo-la todos os dias uns com os outros." E não esqueceu as referências ao congresso do seu partido (em que foi eleito para a direcção).
O BE, através de João Teixeira Lopes, foi o único partido a trazer à sessão solene o tema do aborto. "Onde está esse Portugal do futuro na perseguição e humilhação das mulheres que abortam? Saibamos todos estar à altura desta responsabilidade e de assumir a urgência deste referendo." O recado era para Sampaio.
Pelos Verdes, Madeira Lopes realçou a "a recusa em deixar de falar na Revolução dos Cravos", 31 anos depois.
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