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por
Francisco
sarsfield cabral
Há "crescente nervosismo" no CDS por ainda não ter aparecido qualquer "proposta de liderança com peso institucional" a poucos dias do Congresso do partido e quase dois meses depois da demissão de Paulo Portas - lamentava o eng. Anacoreta Correia no DN de sábado. Percebe-se o nervosismo e a mágoa dá a impressão de que ninguém quer pegar no partido. E de que o próximo líder do CDS será alguém sem entusiasmo, contrariado no seu íntimo, aceitando o fardo por pressão alheia e por consciência do dever, para evitar o desastre total.
O CDS desempenhou um papel importantíssimo na estabilização do nosso regime democrático. Com Freitas do Amaral e Amaro da Costa, o CDS trouxe para a democracia boa parte da direita portuguesa, gente que antes vivera sem problemas de consciência sob a ditadura. Esse contributo histórico do CDS concretizou-se em circunstâncias por vezes bem difíceis - basta lembrar o cerco ao Congresso no Palácio de Cristal, no Porto, em 1975. Depois, a AD criada em 1979 e as maiorias absolutas de Cavaco Silva tiraram peso ao CDS.
Sem Freitas, o partido entrou em zig-zag. Com Lucas Pires foi liberal e europeísta durante um breve período. Com Adriano Moreira foi conservador e atlantista. Depois, com a dupla Monteiro-Portas tornou-se virulentamente populista e anti-Maastricht, assim se distinguindo do PSD. Até mudou de nome, para PP. Mas Portas entendeu que precisava de chegar ao governo - saiu Monteiro, ficou Portas e o PP virou de novo CDS, eurocalmo, democrata-cristão e "de Estado". Só que não resultou. Será que o partido continuará a mudar de ideologia consoante o líder e as conveniências tácticas? Direitas há muitas, decerto. Mas alguma definição estável é precisa no CDS para o partido se tornar credível perante o eleitorado. Tem de acabar com o zig-zag.
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